Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Tuxáua Marly Cuesta’


AGES – Associação Gaúcha de Escritores

A Associação Gaúcha de Escritores (AGES) está convidando todos os associados, professores e demais interessados para uma nova reunião nesta segunda-feira, dia 21 de agosto, às 18h30min, para discutir estratégias de luta pela permanência do Programa de Leitura Adote um Escritor. A reunião, promovida pela Frente Parlamentar de Incentivo à Leitura, da Câmara Municipal de Porto Alegre, será realizada na sala 302 da Câmara. Ela dará continuidade à reunião realizada no dia 2 deste mês, quando a AGES lançou um manifesto a favor do Adote (leia a íntegra do Manifesto aqui).

O programa, que vem sendo desenvolvido com sucesso há 16 anos na Capital e se consagrou como uma referência nacional em políticas públicas de incentivo à leitura, está ameaçado de ser extinto ou ter seu formato original descaracterizado a partir deste ano, por decisão do prefeito Nelson Marchezan Junior.

A AGES também está engajada à campanha #SouAdote, pela manutenção do programa. Manifeste seu apoio acessando a página:

http://goo.gl/roZXEc

Programa Adote um Escritor

O Programa de Leitura Adote um Escritor objetiva articular a leitura e o trabalho transdisciplinar de obras literárias, constituindo-se na política de leitura da Secretaria Municipal de Educação. Destina-se às escolas da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre, incluindo Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação Especial e Educação de Jovens e Adultos. O Programa conta com dotação orçamentária própria da Prefeitura de Porto Alegre, sendo a verba encaminhada diretamente às escolas, para que possam adquirir obras literárias que passam a compor suas bibliotecas escolares.

Dentre as ações do Programa está aquisição de obras literárias de autores (escritores e/ou ilustradores) do Rio Grande do Sul e de todo o Brasil. Para o pleno desenvolvimento do Programa, a Smed mantém assessoria pedagógica constante às escolas, para que as mesmas apropriem-se amplamente da obra de um autor, o qual é escolhido coletivamente pela escola. Posteriormente, o autor realiza uma visita à escola, objetivando um contato mais próximo com toda comunidade escolar. Como complemento ao Programa, são realizadas visitas à Feira do Livro de Porto Alegre.

Em sua primeira edição, sob a coordenação da professora Angela da Rocha Rolla, o projeto-piloto foi desenvolvido em​ ​dez escolas.​ ​O projeto previa o repasse de verba às escolas para a aquisição de obras literárias do escritor escolhido e, após a leitura e a realização de atividades​ ​pedagógicas relacionadas aos livros, ocorria a visita do escritor adotado. Nos anos seguintes, devido ao sucesso da iniciativa, ampliou-se o interesse das escolas e hoje 100% da​ ​rede​ ​municipal de ensino​ ​participa do Programa.

A Câmara Rio-Grandense do Livro​ ​oferece uma lista de nomes de autores disponíveis para adoção.​ ​A cada ano, mais autores manifestam interesse em participar deste Programa, que é reconhecido como uma das melhores iniciativas de incentivo à leitura no país. Desde a sua criação, mais de​ ​200 escritores e ilustradores já participaram do Adote um Escritor.

Em 2015,​ ​​69 escritores​ ​participaram de 132 encontros, com o envolvimento de​ ​13.292 estudantes. Mais de 5.000 alunos visitaram a 61ª Feira do Livro de Porto Alegre. Estiveram nas ações ligadas ao programa 1.140 educadores e 489 funcionários de escolas.

Uma iniciativa originada no programa foi o Porto Leitura Alegre, conhecido como PLA, que já conta com duas edições. Os grupos de contadores de histórias formados nas nossas escolas têm a oportunidade de apresentar suas performances e receberem o carinho e reconhecimento do público presente na Feira do Livro de Porto Alegre. O PLA acontece em ​um​ dia da programação infantojuvenil da Feira no Teatro Carlos Urbim (antigo Teatro Sancho Pança).
“Faz necessário e urgente a nossa sociedade apoiar as demandas e ações dessa importante organizaçao gaúcha, a AGES”,clama a Gestora do Ponto de Leitura e Ponto de Cultura Vitória-Régia e Tuxáua”,Marly Cuesta.
Fonte:
http://www.ages.org.br/?nid=8216

Read Full Post »

Publicado em 21 de abr de 2017
Edição de CASA Nomades

No último dia 22 de Março de 2017, a CASA Latina (https://ecovillage.org/region/casa/), entrou em ação para apoiar ao “CANTO AL AGUA 2017” – http://www.cantoalagua.com/

Pessoas em toda América Latina e Casa Latina se uniram na mesma hora do dia 22 de março,Dia da Água, para entoarem o mantra “AH!” por um minuto na intenção de “Curar nossa Águas internas e externas!”

Este vídeo, foi o resultado da união e intenção das ações realizadas no Brasil, Colômbia e México.

“Gratidão à tod@s por tão importantes,necessárias e urgentes ações.Por isso,temos que incentivar nossas crianças desde a mais tenra idade à darem o valor necessário a um de nossos maiores bens da humanidade, a Água”,afirmou a Tuxáua Marly Cuesta.

Fotos:
Da internet e acêrvo pessoal
Fonte:
https://www.youtube.com/channel/UC_vPq7KFylYDbQcgjMJ2PbQ?feature=em-uploademail
http://www.cantoalagua.com/

Read Full Post »

Audiência Pública/foto Marly Cuesta

Audiência Pública/foto Marly Cuesta


Evento objetivou informar, coletar informações, debater e propor encaminhamentos sobre impacto dos agrotóxicos na segurança alimentar na região Metropolitana

O Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos (FGCIA) – iniciativa do Ministério Público Federal no Rio Grande do Sul (MPF/RS), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Ministério Público do Estado (MP/RS)– realizou, na tarde desta quarta-feira (8/6), audiência pública na Assembleia Legislativa gaúcha. Com o tema “Os agrotóxicos e a (in) segurança alimentar”, o evento contou com público de aproximadamente 150 participantes. O objetivo foi o de informar, coletar informações, debater e propor encaminhamentos sobre o impacto dos agrotóxicos na segurança alimentar na região Metropolitana.

Formado por 51 instituições, o FGCIA é coordenado pela procuradora da República Ana Paula Carvalho de Medeiros (MPF), tendo como adjuntos o procurador do Trabalho Noedi Rodrigues da Silva (MPT) e o promotor de Justiça Daniel Martini (MP). A mesa foi composta pelos coordenadores do FGCIA, mais as representantes da Coordenadoria Geral de Vigilância, da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, Marla Kuhn e Maria Inês Bello, o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Leonardo Melgarejo, e a biomédica e doutora em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) Sérgio Arouca, veiculada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Karen Friedrich.

A programação teve palestra de Karen, também professora-adjunta da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Uferj), com experiência na área de Toxicologia e Vigilância Sanitária com ênfase na avaliação toxicológica de medicamentos e agrotóxicos. A pesquisadora abordou o uso no Brasil dos agrotóxicos, sua regulação e a exposição e efeitos sobre a saúde. “O que a gente tem visto no Brasil é um aumento muito grande do uso de agrotóxicos, principalmente para o cultivo da soja”, revelou. Afirmou que só tem um caminho para se garantir segurança alimentar que é “transitar no modelo de produção agroecológico”. Informou que o Brasil é o maior consumidor mundial dos venenos, com 12 litros/hectare, 7 litros/habitante.

Clique aqui para acessar o PDF da apresentação de Karen.

Foi dada a palavra a representantes de órgãos públicos, associações civis, estabelecimentos de saúde, Conselhos, Universidades e movimentos sociais organizados. Uma das representantes, a sanitarista do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS), vinculado à Secretaria Estadual de Saúde, Vanda Garibotti, informou que 35% dos alimentos analisados no Estado têm resultados insatisfatórios, porque apresentam resíduos de agrotóxicos proibidos ou acima do permitido.

Clique aqui para acessar o PDF da apresentação de Vanda.

Outros representantes abordaram tópicos como a necessidade de se conhecer o número de pessoas intoxicadas (a partir do incremento do uso dos sistemas de notificação pelos profissionais da saúde), o problema dos produtos contrabandeados, a ocultação das consequências do uso de agrotóxicos nas lavouras e na alimentação, os efeitos danosos da pulverização aérea, a importância de se trabalhar a conscientização nas escolas, os projetos de lei em discussões em Brasília que tratam da alteração da normatização dos agrotóxicos, concentrando poderes no Ministério da Agricultura e retirando atribuições da área da saúde, do meio ambiente e dos órgãos estaduais de fiscalização.

Um dos depoimentos mais aplaudidos foi o do produtor rural Juarez Pereira, que há 21 anos cultiva arroz orgânico e é um dos expositores da Feira Ecológica do Bom Fim aos sábados. “Eu aprendi a conceituar a atividade orgânica como a atividade da esperança quando a convencional pode-se dizer que é a da desesperança. E essa vibração negativa se reflete na saúde pública, na má qualidade de vida”, destacou o agricultor.

Houve o lançamento da “Consulta Pública: o uso e os riscos associados aos agrotóxicos em Porto Alegre”. O objetivo é o de buscar informações para construção do Plano Municipal de vigilância da exposição aos agrotóxicos na cidade. Para participar, basta acessar o link bit.ly/cgvsconsulta e preencher o formulário disponível.

Esta foi a quarta audiência pública do FGCIA. A primeira foi realizada, em 9 de abril de 2015, em Ijuí, na região Noroeste do Rio Grande do Sul, onde o problema é mais grave. A segunda aconteceu em 16 de setembro de 2015, em Pelotas, na região Sul do Estado. E a terceira foi em 4 de novembro de 2015, em Caxias do Sul, na Serra. A qualidade da palestra e dos debates foi o ponto alto do evento, na avaliação dos coordenadores do FGCIA.

Foram convidados representantes de 63 municípios: Alvorada, Arambaré, Araricá, Arroio dos Ratos, Barão do Triunfo, Barra do Ribeiro, Brochier do Maratá, Butiá, Cachoeirinha, Camaquã, Campo Bom, Canoas, Capela de Santana, Capivari do Sul, Cerro Grande do Sul, Charqueadas, Chuvisca, Dois Irmãos, Dom Feliciano, Eldorado do Sul, Estância Velha, Esteio, Fazenda Vila Nova, General Câmara, Glorinha, Gravataí, Guaíba, Harmonia, Igrejinha, Ivoti, Maratá, Mariana Pimentel, Minas do Leão, Montenegro, Mostardas, Nova Hartz, Nova Santa Rita, Novo Hamburgo, Palmares do Sul, Pareci Novo, Parobé, Paverama, Portão, Porto Alegre, Rolante, Salvador do Sul, Santo Antonio da Patrulha, São Jerônimo, São José do Sul, São Leopoldo, São Pedro da Serra, São Sebastião do Caí, Sapiranga, Sapucaia do Sul, Sentinela do Sul, Sertão Santana, Tabaí, Tapes, Taquari, Tavares, Triunfo, Tupandi, Viamão.

Fonte http://mpt-prt4.jusbrasil.com.br/noticias/347497939/audiencia-publica-em-porto-alegre-debate-agrotoxicos-e-in-seguranca-alimentar

A Tuxáua e mestra da cultura alimentar tradicional,Marly Cuesta,como representante do Programa Fome Zero de Porto Alegre, fez uma denúncia sobre o crime que os ruralistas estão fazendo.”A pulverização de inseticidas atingem terras longíncuas levadas pela ação do vento e das chuvas,matando nossa biodiversidade, acabando com nosso alimento ancestral as PACs e ervas,envenenando nossos rios e lagos,em especial das nossas terras indígenas e quilombolas.E conclamou à sociedade que proteste,participe da Consulta Pública,a boicotar os alimentos transgênicos e não votar em ruralistas homofóbicos e criminosos”!

Read Full Post »

Garimpo das Artes Artesanais RS Saberes e FazeresRoda de conversas 
Na tarde da quarta-feira (25/03) foi realizada uma roda de conversa que reuniu extensionistas, artesãos que estão expondo no Espaço Casa da Emater e integrantes do Projeto “Garimpo das Artes Artesanais RS: Saberes e Fazeres”, resultado de uma parceria entre a Emater/RS-Ascar e o projeto para divulgar seus objetivos entre os artesãos assistidos da Emater durante as feiras.

A coordenadora do espaço, a extensionista da Emater/RS-Ascar Marines Rosali Bock, abriu a roda de conversa dando boas vindas ao projeto e artes@s e fando do artesanato.São peças de porongo, lã, crochê, madeira, palha de milho, folha de bananeira, fabricação de vassouras, além do reaproveitamento de materiais como garrafas pet, sendo expostas e comercializadas por artesãos de nove municípios e beneficiando em torno de cinquenta famílias. “Além de ser uma grande alternativa de geração de renda para as famílias, o artesanato ainda é uma opção de lazer e motivo para confraternizações em grupo, pouco comuns no meio rural”, comenta Marines.

“Para algumas famílias o artesanato é um hobbie, mas para outras o impacto financeiro da sua comercialização chega a representar de 10% a 40% da renda da propriedade. Assim como é uma forma de recuperar práticas que os familiares desses agricultores utilizavam em outros tempos e passar essa cultura adiante, ajudando a manter conhecimentos típicos de cada região”, ressalta a extensionista.

 

Foram ouvidos os relatos dos artesãos, a respeito das dificuldades que enfrentam para levar adiante as atividades, seus anseios e o que o artesanato representa para suas vidas.

A Coordenadora do Artesanato na Emater/RS-Ascar,Ivanir Argenta dos Santos,falou sobre o trabalho em prol do artesão rural e sobre os esforços para a emissão da Carteira do Artesão Rural e  da satisfação da realização dessa parceria para um trabalho tão importante no fortalecimento do artesão e artesanato do Rio Grande do Sul.

“Para nós é muito gratificante quando uma pessoa vem e manifesta admiração pelo nosso trabalho, dá uma satisfação muito grande, porque tudo é feito com amor, nós tiramos da terra o que vai ser trabalhado e transformado em belas peças de artesanato. Nós precisamos de divulgação do que é o trabalho para o qual nos dedicamos, tudo o que ele representa”, declarou a artesã Rosangela Ferreira durante a roda de conversas.

Letícia de Cássia e Marly Cuesta, produtoras e gestoras do Garimpo das Artes, apresentaram o Garimpo das Artes como um projeto vencedor do Edital SEDAC nº 11/2013-Edital de Concurso “Desenvolvimento da Economia da Cultura Pró-cultura RS FAC” e que a intenção do projeto é criar uma base para o desenvolvimento de arranjos produtivos locais de artesanato, por meio do resgate de saberes e fazeres da cultura popular  e tradicional do RS.

O projeto trabalha com o conhecimento e práticas artesanais ancestrais repassados entre gerações, as quais aprendem um ofício e o transmitem para as gerações seguintes. É um esforço de pesquisa e mapeamento com ações de formação em identidade cultural, cidadania e empreendedorismo criativo, cultural e sustentável. As pesquisadoras estão percorrendo o Estado para a realização de entrevistas, mapeamento e formação de grupos e redes de cultura, associações, entidades de classe artesã e de economia criativa e solidária das regiões dos Coredes. Os dados deverão ser divulgados por meio de uma plataforma de livre acesso aos conteúdos, na internet, que será abastecida durante o processo, assim como em uma publicação disponibilizada no mesmo ambiente virtual e em oficinas e palestras com a apresentação dos dados documentados. 

Como representante da região Sul no Colegiado Setorial do artesanato do CNPC/MINC, a mestra artesã Marly Cuesta, falou sobre o trabalho no Plano Setorial Nacional do Artesanato, construído pelo Colegiado Setorial do Artesanato, formado por artesãs,artesãos e representantes de várias Secretarias do MINC, passando pela fase de consulta pública,onde a sociedade contribuiu com os eixos que irão orientar as políticas públicas para o Artesanato pelos próximos 10 anos.Cada eixo é composto por estratégias e ações.Falou também,sobre o árduo trabalho da CNARTs,pela aprovação dos PLs do Artesão e dos Mestres.”Ouvir  os sonhos e as demandas dos artesãos nos fortalecem para que estejamos lutando por Políticas Públicas Culturais nas instância decisórias nas esferas municipais,estaduais e nacional”,concluiu.

Orientaram também, sobre a emissão da Carteira Nacional do Artesanato no PAB/RS.

 

Leia mais em

http://www.emater.tche.br/site/noticias/detalhe-noticia.php?id=21110#

 

 

Read Full Post »

dia-mundial-da-água 2015Celebrado mundialmente desde 22 de março de 1993, o Dia Mundial da Água foi recomendado pela ONU durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, no Rio de Janeiro.

Desde então, as celebrações ao redor do mundo acontecem a partir de um tema anual, definido pela própria Organização, com o intuito de abordar os problemas relacionados aos recursos hídricos.

Entre os temas já escolhidos para a data estão: água e energia, cooperação pela água, água e segurança alimentar, águas transfronteiriças, saneamento, água limpa para um mundo saudável, lidando com a escassez de água e água para as cidades: respondendo ao desafio urbano.

E,justamente no ano em que se encerra a Década da Água – 2005 – 2015, proclamada pelas Nações Unidas, muitos países do mundo – e particularmente o Brasil, finalmente se dão conta que a água é um recurso finito. E extremamente valioso.

Infelizmente, em nosso país, foram a seca prolongada e o iminente risco de falta d’água em diversas cidades que fizeram com que governantes e população encarassem esta realidade.

Durante esta década, a cada ano a UN-Water (agência da ONU que coordena ações em assuntos sobre água doce e saneamento) escolhe um tema para ser debatido internacionalmente. Este ano, quando este ciclo se fecha, Água e Desenvolvimento Sustentável dará o tom de encontros e discussões.

Fórum Mundial da Água em 2018

A capital federal, que concorria com Copenhague (Dinamarca), foi eleita durante em fevereiro de 2014, durante a 51ª Reunião do Quadro de Governadores do Conselho Mundial da Água (WWC), em Gyeongju (Coreia do Sul), para sediar o Fórum Mundial da Água de 2018

O fórum ocorre a cada três anos e é o maior evento do mundo com a temática dos recursos hídricos. A campanha brasileira apresentou o tema ‘Compartilhando Água’, para integrar os assuntos discutidos nas edições anteriores do evento, dando continuidade aos debates já realizados sobre os desafios do setor de recursos hídricos.

Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), em agosto de 2013, uma equipe de avaliadores esteve em Brasília e produziu um relatório sobre infraestrutura de transportes, mobilidade urbana, rede hoteleira e locais para realização do fórum, que serviu de subsídio para que a cidade fosse a escolhida.

A próxima edição do evento organizado pelo WWC, em 2015, será em duas cidades da Coreia do Sul, Daegu e Gyeongbuk, com o tema ‘Água para Nosso Futuro’. O objetivo é destacar a temática dos recursos hídricos na agenda global e reunir organizações internacionais, políticos, representantes da sociedade civil, cientistas, usuários de água e profissionais do setor.

Água é um bem essencial para que o planeta enfrente os desafios das próximas décadas. Com o aquecimento global, recursos hídricos serão ainda mais fundamentais para que a produção de alimentos possa atender a população global, que deverá chegar a 9 bilhões de habitantes.

Outro grande problema que ainda faz parte do dia-a-dia de milhares de pessoas no mundo é a falta de acesso a saneamento básico e água potável. Mas antes de tudo, será necessário fazer com que ela não falte através de uma gestão hídrica maisconsciente e sustentável. Afinal, sem água, não há vida.

A Humanidade precisa de água, e a cada dia aumenta o consumo em virtude do aumento da migração de populações para os centros urbanos. Estima-se que em 2050 serão necessários 40% mais água nos centros urbanos do que nos dias atuais, com base na projeção de que 2,5 bilhões de pessoas mudarão para cidades até esta data.

A água está no centro do desenvolvimento sustentável. Os recursos hídricos, e a gama de serviços que eles provêm, tem o poder reduzir a pobreza, promover o crescimento econômico e a sustentabilidade ambiental. Desde a segurança alimentar e energética até a saúde humana e ambiental, a água contribui para melhorar o bem estar social e crescimento inclusivo, beneficiando o sustento de bilhões de pessoas.

Água e Saúde

A água é essencial à saúde humana. O corpo humano pode sobreviver semanas sem comida, porém apenas poucos dias sem água. O simples ato de lavar as mãos com frequência previne uma série de doenças e sua proliferação. O corpo humano é composto de 50-65% de água, sendo que crianças recém-nascidas têm 78% de água. Todos os dias, as pessoas precisam de água para beber, cozinhar e para higiene pessoal. A Organização Mundial da saúde recomenda ao menos 7,5 litros por pessoa por dia para satisfazer as necessidades básicas, e 20 litros/pessoa por dia são suficientes para suprir as necessidades de higiene pessoal e higiene dos alimentos.

Apesar dos progressos na última década, 750 milhões de pessoas ainda não tem acesso à água potável e 2,5 milhões não dispõem de saneamento básico. Maiores investimentos em água e saneamento resultam em ganho econômico substancial. O custo para prover água e saneamento a todos os habitantes do mundo é estimado em cerca de US$ 100 bilhões por ano, por um período de cinco anos.

Água e Natureza

Os Ecossistemas, incluindo, por exemplo, florestas, pântanos e pastagens, estão no cerne do ciclo global da água. Toda a água doce, em última análise, depende do contínuo funcionamento saudável dos ecossistemas, e reconhecer o ciclo da água é essencial para uma gestão sustentável da água. No entanto, a maioria dos modelos econômicos não valorizam os serviços essenciais prestados pelos ecossistemas de água doce. Isto leva à utilização não sustentável dos recursos hídricos e da degradação dos ecossistemas.

Há uma necessidade de mudar para políticas econômicas ambientalmente sustentáveis ​​que levem em conta a interligação entre os sistemas ecológicos. O desafio é atingir o equilíbrio entre infraestrutura construída e natural e prestação de serviços.

Argumentos econômicos podem tornar a preservação dos ecossistemas relevantes para os tomadores de decisão e planificadores. A valorização dos ecossistemas demonstra que os benefícios excedem em muito os custos de investimentos relacionados com a água na conservação dos ecossistemas.

Água e Urbanização

Hoje em dia, um terço da população mundial vive em cidades. As cidades do mundo estão crescendo em ritmo excepcional, e 93% da urbanização ocorre em países pobres e em desenvolvimento, notadamente nos países BRICS.

“A gestão de áreas urbanas tornou-se um dos mais importantes desafios para o desenvolvimento do século XXI. Nosso sucesso ou falha em construir cidades sustentáveis será um dos maiores fatores de decisão na Agenda de Desenvolvimento pós-2015 das Nações Unidas”, afirma John Wilmoth, Diretor da Divisão de População do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais (DESA) das Nações Unidas.

Milhares de quilômetros de tubulações conformam a infraestrutura de água das cidades. Muitos sistemas antigos desperdiçam mais água do que entregam. Em muitas cidades, a infraestrutura de água e esgoto é inexistente, insuficiente, ou inadequada.

Água e Indústria

Todo produto manufaturado reque água na sua fabricação. Algumas indústrias utilizam mais água que outras: São necessários 10 litros de água para produzir uma folha de papel, e 91 litros para fabricar 500 g de plástico.

A industrialização pode trazer desenvolvimento aumentando a produtividade, empregos e a renda, porém a indústria prioriza maximizar a produção ao invés de buscar eficiência e conservação da água.

Tecnologia e planejamento inteligente podem reduzir o uso de água, e melhorar a qualidade das águas residuais. Alguns modernos fabricantes de têxteis introduziram tecnologias que garantem que a água que sai da fábrica é tão ou mais limpa do que as fontes de água potável que abastecem as cidades. Grandes empresas de bebidas também estão melhorando a sua eficiência no uso da água e ao longo dos últimos 10 anos reduziu-se substancialmente a água utilizada em suas unidades fabris.

Água e Energia

Água e energia são parceiros naturais. A água é necessária para gerar energia. A energia é necessária para fornecer água.

Hoje mais de 80% da geração de energia é por usinas termoelétricas. A água é aquecida para criar o vapor para acionamento dos geradores elétricos. Milhares de milhões de litros de água são também necessários para o resfriamento. Isso requer limitar a construção e utilização das plantas menos eficientes de energia movidas a carvão. A energia hidrelétrica representa 16% da produção mundial de eletricidade no mundo inteiro – um valor esperado de 3700 grandes barragens pode mais do que dobrar a capacidade total de eletricidade da energia hidrelétrica dentro das próximas duas décadas.

Nova produção de energia deve ser usada amplamente, adotando resfriamento seco ou tecnologias de resfriamento de circuito fechado altamente eficientes. O uso de fontes alternativas de água, como a do mar ou de águas residuais, oferece um grande potencial para reduzir as pressões sobre os recursos de água doce.

A energia renovável vem de recursos que são naturalmente reabastecidos, como luz solar, vento, chuva, marés, ondas e calor geotérmico. Estas prescindem grandes quantidades de água doce.

Água e Alimentação

Cada cidadão norte-americano utiliza 7.500 litros de água por dia, a maior parte para produzir alimentos. Um litro de água é necessário para irrigar 1 caloria de alimento, e a irrigação é responsável por 90% do consumo de água em alguns países em desenvolvimento. A nível global, a agricultura é o maior consumidor de água, com 70% de consumo.

Até 2050 a agricultura deverá produzir 60% mais alimentos globalmente e 100% mais em países em desenvolvimento. O crescimento econômico e a riqueza individual estão mudando as dietas baseadas principalmente em amido para carne e laticínios, que requerem mais água em sua produção. Para produzir 1 Kg de arroz, consome-se 3.500 litros de água, enquanto 1 Kg de carne requer 15 mil litros. Esta mudança na dieta impacta grandemente no consumo de água nos últimos 30 anos, e há indícios de que continue até meados do século XXI.

As taxas de crescimento atuais de demandas agrícolas sobre os recursos de água doce do mundo são insustentáveis. A utilização ineficiente de água para a produção agrícola esgota aquíferos, reduz o fluxo dos rios, degrada habitats de vida selvagem, e causou a salinização de 20% da área terrestre irrigada global. Para aumentar a eficiência na utilização de água, a agricultura pode reduzir perdas de água e, mais importante ainda, aumentar a produtividade das culturas em relação à água.

Com o aumento da agricultura intensiva, a poluição da água pode piorar. A experiência dos países de alta renda mostra que uma combinação de incentivos, incluindo regulamentação mais rigorosa, aplicação e subsídios bem orientados podem ajudar a reduzir a poluição da água.

Água e equidade

Em países em desenvolvimento, a responsabilidade pela coleta de água todos os dias recai desproporcionalmente sobre as mulheres e meninas. Em média, as mulheres dessas regiões passam 25% do seu dia de coleta de água para suas famílias. Este tempo não é empregado em trabalho remunerado, cuidar da família ou na escola. Os investimentos em água e saneamento mostram ganhos econômicos consideráveis. Cada dólar investido mostra um retorno entre 5 e 8 vezes este valor.

A mudança climática afeta negativamente as fontes de água doce. As projeções atuais mostram que os riscos relacionados com a água doce aumentam significativamente com o aumento das emissões de gases de efeito de estufa, exacerbando a competição por água entre todos os usos e usuários, afetando a segurança regional da água, energia e alimentos. Combinada com a crescente demanda por água, isso irá criar enormes desafios para a gestão dos recursos hídricos.

O Brasil e os recursos hídricos

O Brasil é um dos países com maior potencial de recursos hídricos do mundo. O Conselho nacional de Recursos Hídricos (CNHR) por meio da Resolução n°58/2010 atribuiu à Agencia Nacional de Águas (ANA) a responsabilidade pela elaboração do Relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil, de forma sistemática e periódica.

O último relatório da ANA disponível é de 2011, que pode ser lido integralmente na Internet no endereço http://conjuntura.ana.gov.br/conjuntura/

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a Região Sudeste do Brasil enfrenta a pior crise hídrica dos últimos 84 anos. O Governo Federal lançou campanhas para conscientizar a população sobre a necessidade de economizar água. Desde então, relatos diários sobre os níveis dos principais mananciais que abastecem a cidade de São Paulo vêm sendo publicados na mídia online e impressa. (veja http://site.sabesp.com.br/)

Um dos problemas associados com a falta de água – ou de sua perspectiva – é o armazenamento inadequado de água nas moradias. Quando destampados, os reservatórios de água doce limpa são viveiros ideais para a proliferação de vetores transmissores de doenças. A Prefeitura Municipal de São Paulo, em seu portal na Internet alerta para os riscos de aumento de casos de dengue – doença causada por um vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti –decorrente do armazenamento impróprio de água. Dados do Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde indicam que os casos de dengue no Brasil chegaram a 224 mil na semana de 1 a 7 de março de 2015, e os da chikungunya – doença viral transmitida pelo mesmo mosquito da dengue – foram de 1050 casos confirmados. Os casos de dengue triplicaram em relação ao mesmo período de 2014.

Veja matéria no PSI sobre declaração do Ministro da Saúde, Arthur Chioro, sobre o tema.

É importante conscientizar a população, principalmente na Região Sudeste, a fazer uso consciente da água e se armazenar água, fazê-lo de modo adequado.

Confira abaixo o vídeo do Dia Mundial da Água 2015:

Fonte: World Water Day 2015

http://aai.bireme.org/proxy/boletim/reader.php?article=/boletim/campanhas/dia-mundial-da-agua-2015/

Agência Brasil

 

Read Full Post »

Papa Francisco abençoando a Silvana Bragatto_10956268_10200235655731543_4350512364122949507_n Papa Francisco com livro Puntos de Cultura_10426233_877670155627043_3878113638416921971_nPor Célio TurinoPapa Francisco e Célio Turino_digitalizar0007-300x206

Foi inesperado. De repente, uma amiga argentina, Ines Sanguinetti, uma bailarina que dedica sua vida a promover a Cultura Viva Comunitária na periferia de Buenos Ayres, em que “Crear vale la pena”, envia uma mensagem: “estou apresentando-o à Damiana, que trabalhou com o Papa Francisco quando arcebispo e eles gostariam de conhecer mais a ideia dos Pontos de Cultura”. Trocamos algumas mensagens, ela pediu meu currículo sem dizer para que, também enviei meu livro em espanhol, editado na argentina ” Puntos de Cultura – Cultura Viva en movimiento” e ficamos de nos encontrar em abril, quando eu fosse ministrar um curso de gestão cultural em Buenos Ayres. Uma conversa das muitas que realizo com pessoas de diversos países, trocando ideias sobre a Cultura Viva que é realizada pelo mundo afora. Uma semana depois, recebo um convite da Academia de Ciências do Vaticano, para ministrar a Conferência de abertura no tema “Cultura, Educação e Emancipação” no Congresso mundial do programa Scholas Occurrentes (Escolas do Encontro) a ser lançado pelo Papa Francisco, com o objetivo de envolver 60 milhões de jovens em todo o mundo. Mais uma semana e eu estava no Vaticano. Tudo muito rápido e bem definido.

Promover encontros pela paz. Não desses encontros retumbantes, com declarações genéricas e pouca ação prática, mas encontros singulares, pessoa a pessoa. Sessenta milhões de crianças e jovens a se encontrarem pelo mundo, um a um, estabelecendo laços de afeto e confiança. Esta é a ideia das Escolas do Encontro. Algo assim: colocar um jovem Checheno convivendo com um jovem Russo, dormindo no mesmo quarto, dividindo a mesma comida e um tendo que lavar a roupa do outro, como na vila de Rondini, na Itália, em que jovens de países conflagrados são convidados a viver juntos, sob o mesmo teto. E, de repente, um jovem israelense declara que nunca havia conversado com um palestino antes de dividir o quarto com um, e eles se descobrem amigos. Potenciar o encontro, praticar a alteridade (o se reconhecer no “outro” por mais diferente que este “outro” possa parecer), exercitar a tolerância e a paz, esta é a ideia do Scholas Occurrentes.

O Ponto de Cultura pode fazer esta mediação. Aqui não me refiro aos Pontos de Cultura instituídos ou reconhecidos por governos, esses também, mas há muito mais Pontos de Cultura espalhados por aí. Gente boa, criativa e dedicada, fazendo trabalho pelo mundo, entregando suas vidas a organizar a Cultura Viva em suas comunidades. Pode ser uma biblioteca comunitária, ou uma escola de dança, ou grupo de teatro, de hip hop, coletivo audiovisual, com indígenas, jovens de favelas, camponeses, também estudantes universitários, mestres da Cultura Popular, Griôs, contadores de histórias, palhaços, músicos, gente fazendo ecovilas, agroecologia, cooperativas de economia solidária, trabalhos compartilhados em software livre, cultura digital. Tudo cabe na Cultura Viva, basta querer, inventar e fazer. E promover o encontro.

Há realidades extremadas, como jovens vivendo em áreas de guerra. Mas há também outras realidades em que o Encontro deve ser promovido, em que a guerra não é declarada, mas velada (ou não tão velada assim). Não seria uma boa ideia colocar jovens de um colégio arquidiocesano, de classe média alta, para interagir com jovens de uma escola pública no Capão Redondo, em São Paulo? Mesmo morando na mesma cidade, talvez eles nunca tenham se encontrado, como entre os jovens israelense e palestino. Por vezes são escolas que estão ao lado uma da outra, no mesmo bairro ou região, por vezes estes jovens até se cruzam nas ruas, mas nunca se olharam, nunca se ouviram. O jovem da família rica, com acesso a todos os bens de consumo ou conforto, talvez seja até mais excluído de sua cultura, de seu povo, que um jovem que possa morar na favela vizinha. Um, com acesso a shoppings, baladas, cinema multiplex ou roupas de marca, outro, com acesso ao Jongo, à capoeira, às rodas de conversa, saraus de periferia ou grupos de rap. Mas eles tem o que conversar e aprender um com o outro. É aí que entra a cultura e o esporte. Não para promover um encontro forçado, como se fosse uma tarefa escolar, em que cada uma dessas crianças e jovens devesse conversar com a outra em algum momento especial ou em encontros pelo computador. Mas em encontros reais, vivenciados cotidianamente. Um grupo de capoeira, o exercício de produção de um audiovisual entre jovens de realidades tão distintas, um trabalho comunitário (não para que o mais rico se sinta ajudando o mais pobre, mas para uma ação comum, em que um ajuda e aprende com o outro, cuidando de uma horta comunitária, de comida orgânica, por exemplo). Enfim, há tantas possibilidades, tantas necessidades, tanta gente precisando se encontrar (mesmo quando não sabem). Cabe aos Pontos de Cultura do mundo a mediação deste encontro.

Foi o que conversei com o Papa Francisco. E que venham os encontros!

“Fico mais uma vez muito emocionada por fazer arte desta grande família,que foi idealizada com tanto amor,dedicação e competência por Célio Turino, um grande visionário de que a cultura pode muito!Foi graças a ele que lá naquele nosso primeiro Encontro dos Pontos de Cultura,em 2006,em São Paulo,eu estive presente,graças ao seu convite,representando nosso projeto cultural da Associação de Mulheres Vitória-Régia,que eu nem sabia que era um Ponto de Cultura!Suas ações como titular da Secretaria da Cidadania Cultura do Ministério da Cultura,nos ajudaram muito no nosso empoderamento e fortalecimento de nossas companheiras mulheres,suas crianças e jovens!Cada degrau da caminhada do Célio, foi construído assim,com essa singeleza e simplicidade com chega agora ao Vaticano, levado pelo convite do nosso amado Papa Francisco​!Parabéns,Célio Turino,serás sempre o nosso grande Embaixador do Programa Cultura Viva no mundo todo pelo bem viver dos povos!”São as palavras emocionadas da Tuxáua Marly Cuesta.

http://www.revistaforum.com.br/brasilvivo/2015/02/23/encontro-com-papa-francisco/

Read Full Post »

Marshall Rosenberg

Marshall Rosenberg

Em gratidão e homenagem ao legado do mestre Marshall Rosenberg, que fez sua passagem no último dia 7 de fevereiro, traduzi e compartilho aqui um trecho do livro “Practical Spirituality”, que apresenta uma sessão de perguntas e respostas na qual Marshall fala sobre as bases espirituais da Comunicação Não-Violenta. Este livro me trouxe grandes insights sobre os reais significados de se praticar a CNV e da importância de fazermos isto a partir de um lugar de amorosidade profunda e humanidade compartilhada que caracteriza a verdadeira espiritualidade. Para mim, muitas falas dele ressoam com o pensamento de Martin Buber sobre como só é possível nos encontramos com o Divino, o inefável Tu-Eterno, quando nos abrimos com coragem e entrega para os encontros verdadeiros com os outros seres humanos, numa legítima relação Eu-Tu. A propósito disto, Buber escreveu: “A finalidade da relação é o seu próprio ser, ou seja, o contato com o Tu. Pois, no contato com cada Tu, toca-nos um sopro da vida eterna”. Sou imensamente grata a Marshall Rosenberg porque, através dos estudos e da prática de Comunicação Não-Violenta que tenho feito a partir de seu trabalho, pude, por inúmeras vezes, entrar em contato pleno com a humanidade presente em mim e em todas as pessoas e sentido, assim, o sopro suave e precioso da vida que nunca acaba. 

P: Como você se conecta com o Divino através da Comunicação Não-Violenta?

R: Eu acredito que é importante que as pessoas vejam que a espiritualidade está na base da Comunicação Não-Violenta e que elas aprendam a mecânica do processo da CNV com isto em mente. É de fato uma prática espiritual que eu estou tentando propor como um modo de vida. Mesmo que nós não mencionemos isto, as pessoas são seduzidas pela prática. Ainda que elas pratiquem a CNV como uma técnica mecânica, elas começam a experimentar coisas entre elas mesmas e outras pessoas que elas não eram capazes de experimentar antes. Então, elas acabam por atingir a espiritualidade do processo. Elas começam a ver que ele é mais que um processo de comunicação, e percebem que, na realidade, é uma tentativa de manifestar nossa espiritualidade. Eu tentei integrar a espiritualidade ao processo da CNV de uma forma que vai de encontro à minha necessidade de não destruir a beleza dele através do pensamento filosófico abstrato.  O tipo de mundo em que eu quero viver requer algumas mudanças sociais bastante significantes, mas as mudanças que eu quero ver acontecerem provavelmente não acontecerão a menos que as pessoas que trabalham para alcança-las manifestarem uma espiritualidade diferente daquela que criou as dificuldades  em que vivemos hoje. Então, nosso treinamento é desenhado para ajudar as pessoas a se certificarem de que a espiritualidade que as guia é de sua própria escolha, e não uma que tenha sido internalizada através da cultura. E que elas continuem criando mudanças sociais a partir desta espiritualidade.

P: O que “Deus” significa para você?

R: Eu preciso pensar em Deus de uma forma que funcione para mim – outras palavras ou modos de olhar para esta beleza, esta força poderosa – e então meu nome para Deus é “Amada Energia Divina”. Por um tempo foi apenas Energia Divina, mas então eu li algo sobre as religiões e poetas orientais e eu adorei a forma pela qual eles têm esta conexão pessoal e amorosa com esta Energia. E descobri que acrescentava à minha vida chamá-la de Amada Energia Divina. Energia é Vida, conexão com a vida.

P: Qual é seu jeito preferido de conhecer a Amada Energia Divina?

R: É como me conecto com os seres humanos. Eu conheço a Amada Energia Divina me conectando com seres humanos de uma forma determinada. Eu não apenas vejo a Energia Divina, eu A saboreio, A sinto e A sou. Me conecto com a Amada Energia Divina quando eu me conecto com outros seres humanos desta forma. Então Deus se torna muito vivo para mim.

P: Quais crenças, ensinamentos ou escritos religiosos tiveram a maior influência sobre você?

R: É difícil para mim dizer quais das várias religiões do planeta tiveram o maior impacto sobre mim. Provavelmente o Budismo foi uma delas. Eu gosto muito do que entendo sobre o que Buda ou as pessoas que o citam dizem. Por exemplo, o Buda deixa muito claro: não se vicie nas suas estratégias, suas exigências ou seus desejos.  Esta é uma parte muito importante de nosso treinamento: não misturar necessidades humanas reais com o modo em que fomos educados para satisfazer a estas necessidades.  Então, tome cuidado para não misturar suas estratégias com suas necessidades. Nós não precisamos de um carro novo, por exemplo. Algumas pessoas podem escolher um carro novo como uma estratégia para satisfazer uma necessidade de segurança  ou paz de espírito, mas precisamos tomar cuidado, porque a sociedade pode enganá-lo, fazendo-nos pensar que é do carro novo que realmente precisamos.  Esta parte de nosso treinamento está bastante em harmonia com os ensinamentos do Buda. Quase todas as religiões e mitologias que eu estudei trazem uma mensagem bastante similar, uma que Joseph Campbell, o mitólogo, resume em alguns de seus trabalhos: nunca faça nada que não seja um jogo. E o que ele quer dizer por jogo é aquilo que contribui com empenho para a vida. Então, não faça nada para evitar punição, não faça nada por recompensas, não faça nada por culpa, vergonha, ou pelos viciosos conceitos de dever e obrigação. O que você fizer será um jogo quando você conseguir ver o que enriquece a vida. Eu tiro esta mensagem não só de minha compreensão sobre os ensinamentos do Buda, mas também do que aprendi sobre o Islã, o Cristianismo e o Judaísmo. Eu acredito que seja uma linguagem natural. Faça aquilo que contribui com a vida.

“Que ensinamento maravilhoso!Que Deus o tenha na luz para o seu eterno repouso! Seus ensinamentos continuarão a nos dar a direção no cumprimento de nossa missão para um bem possível para tod@s!Grata,”disse a tuxáua Marly Cuesta.

https://transformativa.wordpress.com/2015/02/11/espiritualidade-pratica-reflexoes-sobre-as-bases-espirituais-da-comunicacao-nao-violenta-marshall-rosenberg/comment-page-1/#comment-1

Read Full Post »

Older Posts »

%d blogueiros gostam disto: