Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘Multilinguismo’

21 fevereiro 2019 / Cultura e educação

Uma vez que 2019 é o Ano Internacional das Línguas Indígenas, o tema do Dia Internacional da Língua Materna é “As línguas indígenas como fator de desenvolvimento, paz e reconciliação.”

Unesco estima que pelo menos 43% dos idiomas falados no mundo estejam em risco de desaparecer; indígenas usam a maioria das aproximadamente 7 mil línguas vivas; ONU quer aumentar consciência sobre questões linguísticas.

O Dia Internacional da Língua Materna, marcado este 21 de fevereiro, foi proclamado pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco, há quase 20 anos.

A 16 de maio de 2007, a Assembleia Geral das Nações Unidas, por resolução, convocou os Estados-membros a “promover a preservação e proteção de todas as línguas usadas pelos povos do mundo”. O órgão proclamou 2008 como o Ano Internacional das Línguas, para promover a unidade na diversidade e compreensão internacional, através do multilinguismo e multiculturalismo.

Línguas Indígenas
Uma vez que 2019 é o Ano Internacional das Línguas Indígenas, o tema do Dia Internacional da Língua Materna é “As línguas indígenas como fator de desenvolvimento, paz e reconciliação.”

Segundo a ONU, os povos indígenas somam cerca de 370 milhões de pessoas e os seus idiomas constituem a maioria das aproximadamente 7 mil línguas vivas.

A diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay, destaca que “muitos povos indígenas continuam a sofrer com a marginalização, a discriminação e a pobreza extrema, e são vítimas de violações dos direitos humanos”. Por isso, a representante convida “todos os Estados-membros da Unesco, parceiros e agentes da educação a reconhecer e fazer valer os direitos dos povos indígenas.”

Para a agência da ONU, esta data pretende aumentar a consciência sobre questões linguísticas e mobilizar parceiros e recursos para apoiar a implementação de estratégias e políticas em favor da diversidade linguística e do multilinguismo em todas as partes do mundo.

AmeaçasPara a Unesco, esta data pretende aumentar a consciencialização sobre questões linguísticas e mobilizar parceiros e recursos para apoiar a implementação de estratégias e políticas em favor da diversidade linguística.FlipFlopi/FinneganFlint

O Ano Internacional das Línguas chegou num momento em que a diversidade linguística está cada vez mais ameaçada, segundo a ONU. A linguagem é fundamental para a comunicação de todos os tipos, e é a comunicação que possibilita a mudança e o desenvolvimento na sociedade humana.

No entanto, devido aos processos de globalização, vários idiomas estão cada vez mais ameaçados. De acordo com a Unesco, pelo menos 43% das línguas faladas no mundo estão nessa situação.

A agência destaca que apenas algumas centenas de línguas receberam um lugar genuíno nos sistemas educacionais e no domínio público, e menos de 100 são usadas no mundo digital. A cada duas semanas uma língua desaparece levando consigo toda uma herança cultural e intelectual. Globalmente, 40% da população não tem acesso a uma educação numa língua que fala ou compreende.

Importância
Incentivo desde a mais tenra idadeA Unesco considera que existe hoje uma consciência crescente de que as línguas desempenham um papel vital no desenvolvimento, na garantia da diversidade cultural e do diálogo intercultural. Por outro lado, são também fundamentais no fortalecimento da cooperação e da educação de qualidade para todos, na construção de sociedades do conhecimento inclusivas, na preservação do patrimônio cultural e na mobilização política.

As línguas, com suas implicações complexas para identidade, comunicação, integração social, educação e desenvolvimento, são de importância estratégica para as pessoas e o planeta.

Português
Falada em um pouco por todo o mundo, o português é uma das línguas mais utilizadas enquanto língua materna em países como Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste onde o idioma tem estatuto de língua oficial.

O português também é falado em Macau e em muitas comunidades da diáspora dos países lusófonos no mundo, sendo um dos idiomas mais falados do mundo, usado por mais de 250 milhões de pessoas.

A língua materna nos estrutura, é a nossa raiz, individual e grupal. Aprendemos na infância, crescemos nessa língua e vamos intuindo e ajuizando sobre o funcionamento dela. Comunicamos, pensamos, sentimos, criamos com e pela língua materna; ela é sinônimo de identidade cultural.
A língua portuguesa tem cerca de 250 milhões de falantes.

https://photos.app.goo.gl/xtkeYXs4rcezEdRy5

Ao comemorar o Dia Internacional da Língua Materna pretende-se proteger todas as línguas faladas no Mundo, honrando tradições culturais e respeitando a diversidade linguística. Estima-se que metade das quase 6000 línguas faladas no Mundo esteja em risco de desaparecer; ora, como bem alertou Irina Bokova, ex Directora-Geral da UNESCO, “a perda de línguas empobrece a Humanidade.”

No Brasil, a riqueza linguística vai além da língua oficial e das línguas originárias preservadas pelos descendentes de imigrantes. A Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) aproveita a data para saudar os diversos povos indígenas, em especial aqueles que são responsáveis por manterem vivas suas culturas no Brasil e as 274 línguas indígenas faladas no país, conforme registra o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Neste contexto, a OEI trabalha desde o final de 2018 em uma proposta que permita que as escolas situadas nas fronteiras desenvolvam um projeto pedagógico conjunto, bilíngue e intercultural, que têm previsão de lançamento para este ano. Além do Brasil, os países da América do Sul participantes desta iniciativa são: Argentina, Bolívia, Colômbia, Paraguai, Peru e Uruguai. Na região ibérica a iniciativa contemplará a fronteira de Espanha e Portugal.

Vovó,netinh@s e livrosA proposta deve começar com projetos-piloto no âmbito da educação infantil. Nesta fase, a capacidade do aluno para a aprendizagem de línguas é maior, bem como a sua permeabilidade para conhecer e interagir com a cultura do outro. Esse projeto também prevê o intercâmbio de professores entre os países envolvidos.

A estratégia visa assegurar a prática do bilinguismo e as experiências resultantes do interculturalismo também pelos docentes. Outro aspeto interessante desta iniciativa é a releitura das histórias, das geografias e das culturas que associam estas pessoas que vivem em zonas fronteiriças tão próximas.

De acordo com a Diretora-Geral do Programa Ibero-Americano de Difusão da Língua Portuguesa da OEI, Ivana de Siqueira, “As fronteiras linguísticas não existem, estão nas nossas cabeças.” Por exemplo, para as crianças que falam espanhol no meio escolar e português na família, ou vice-versa. É o caso também de um jovem com uma mãe brasileira e um pai uruguaio. O mesmo se aplica a uma pessoa que viva em Portugal e os avós maternos sejam da Estremadura, província histórica, cuja uma de suas fronteiras é com a Espanha.

Fontes:
https://news.un.org/pt/story/2019/02/1660821
https://www.portoeditora.pt/espacoprofessor/paginas-especiais/educacao-pre-escolar/opiniao-pre/dia-internacional-da-lingua-materna/
Fotos: De domínio público e do acervo familiar da Tuxáua
Marly Cuesta

Anúncios

Read Full Post »

%d blogueiros gostam disto: