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Posts Tagged ‘IPHAN’


Uma das mais célebres obras cartográficas produzidas no Brasil, em 1943, considerada um marco dos estudos sobre as línguas e culturas indígenas, está agora disponível no portal do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). São mais de 900 referências sobre etnias e línguas indígenas coletadas entre os séculos XVI e XX catalogadas no Mapa Etno-Histórico do Brasil e Regiões Adjacentes, de Curt Nimuendajú. Utilizando a técnica de restauração digital, a versão original do mapa, que mede quatro metros quadrados, foi fotografada quadrante por quadrante, em alta resolução. Com isso, é possível, na versão digital, visualizar as informações em tamanho ainda maior que em sua versão física. Além da versão digital do mapa, está disponível ao público uma edição revisada e ampliada da obra – um mapa e um livro.

A digitalização do mapa é parte do projeto Plataforma Interativa de Dados Geo-históricos, Bibliográficos e Linguístico-Culturais da Diversidade Linguística no Brasil, realizado pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e pelo Iphan, por meio da equipe técnica do Inventário Nacional da Diversidade Linguística do Departamento do Patrimônio Imaterial (INDL/DPI/Iphan). Um dos objetivos do projeto é utilizar novas tecnologias da informação e da comunicação para promover o acesso a conteúdos como a restauração digital do mapa original, a versão digital na íntegra dos documentos históricos e etnográficos mencionados por Curt Nimuendajú, além de mapas e informações contemporâneas sobre a diversidade linguística no Brasil.

Os coordenadores editoriais, Marcus Vinicius Carvalho Garcia (Iphan) e Jorge Domingues Lopes (UFPA), contam que lançar a publicação de uma nova edição do Mapa Etno-histórico do Brasil e Regiões Adjacentes e disponibilizar a versão digitalizada do original na internet é tornar acessível à sociedade um dos mais importantes documentos etnográficos produzidos no Brasil. A reedição apresenta uma revisão completa do documento, contendo, inclusive, pequenos ajustes que foram identificados no processo de pesquisa. A publicação, de 120 páginas, está organizado em forma de coletânea, com textos que servem como guias para a leitura do mapa.

O projeto conta com o apoio técnico e institucional do Museu Paraense Emílio Goeldi, Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Curt Nimuendajú e o Mapa Etno-históricoCurt Nimuendajú

Kurt Unckel (1883-1945) nasceu na cidade alemã de Jena e tornou-se etnólogo a partir da experiência de contato e de pesquisa com povos indígenas no Brasil. Foi batizado pelos guaranis como Nimuendajú (“o que fez seu assento”, “o que se estabeleceu”, conforme tradução livre do linguista Aryon Rodrigues). Foi um dos principais pesquisadores da diversidade social e cultural da Amazônia e, além de uma vasta obra intelectual, também produziu três versões do mapa etno-histórico. Estas versões foram feitas sob encomenda, sendo a primeira para o Smithsonian Institute, de Washington (EUA), a segunda para o Museu Emílio Goeldi, de Belém (PA), e a terceira para o Museu Nacional da UFRJ.

Elaborado artesanalmente, o mapa, considerado como uma obra fundamental para o conhecimento das terras baixas da América do Sul, classifica 40 famílias linguísticas e identifica cada uma delas com um tonalidades ou cores específicas. Para o antropólogo George Zarur, o mapa de Nimuendajú é uma obra clássica da antropologia brasileira, síntese de todo um conhecimento antes fragmentado e disperso.

O lançamento do mapa faz parte da programação do aniversário de 80 anos do Iphan e aconteceu no contexto da 87ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, na sede do Iphan, em Brasília, às 17h.Artigo-.-Índios…


Detalhes da versão original do mapa

Detalhes da nova edição do mapa

Serviço:
Lançamento da reedição do Mapa Etno-histórico do Brasil e Regiões Adjacentes, de Curt Nimuendajú e versão digital do mapa original
Data: 27 de setembro de 2017 às 17h
Local: Sala Mário de Andrade – Sede do Iphan/Brasília (DF)

Mais informações para a imprensa
Assessoria de Comunicação Iphan
comunicacao@iphan.gov.br
Fernanda Pereira – fernanda.pereira@iphan.gov.br
Yara Diniz – yara.diniz@iphan.gov.br
(61) 2024-5513 – 2024-5504
(61) 99381-7543
http://www.iphan.gov.br
http://www.facebook.com/IphanGovBr | http://www.twitter.com/IphanGovBr
http://www.youtube.com/IphanGovBr

Lançamento do Mapa Etno-histórico do Brasil e Regiões Adjacentes, de Curt Nimuendajú

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cordel-300x225Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), única instituição pública federal que desenvolve e executa programas e projetos de estudo, pesquisa, documentação, difusão e fomento de expressões dos saberes e fazeres do povo brasileiro, recebeu o recurso financeiro no valor da emenda parlamentar apresentada pelo Deputado Federal Jean Wyllys ao Orçamento da União de 2014. Vejam aqui: http://bit.ly/18WLmyN

Em 2009, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel teve seu pedido de registro da Literatura de Cordel como Patrimônio Imaterial do Brasil acatado pela Câmara Técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IphanGovBr). Porém, a elaboração de um Inventário Nacional, com a participação de vários pesquisadores e poetas cordelistas de todo o Brasil, como parte principal do processo de registro estava parado por falta de recursos, situação que agora será revertida graças à liberação da emenda.

“Temos o desafio de construir políticas públicas que assegurem a transmissão dos saberes tradicionais e também o acesso aos saberes formais, sem hierarquias, para garantir a mobilidade social e transformar a vida dos cidadãos e das cidadãs do nosso país”,disse Jean Wyllys.

Fonte:http://jeanwyllys.com.br/wp/emenda-de-jean-wyllys-possibilita-o-registro-da-literatura-de-cordel-como-patrimonio-imaterial-do-brasil

 

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2014-08-20 16.19.17

O Colegiado Setorial de Artesanato do CNPC (Conselho Nacional de Política Cultural), mais uma vez em reunião ordinária,realizada nos dias 19 e 20 de Agosto em Brasília,DF.

A Coordenadora Geral do CNPC,Srª.Magali Moura,faz a abertura da reunião cumprimentando e agradecendo a presença de tod@s e informa que o Secretário Geral da SAI,Bernardo Machado,não estará presente porque está em trabalho externo e que entrará em férias.Faz referência á outra reunião que aconteceu como planejado.Comenta que os Colegiados são como uma escola e que juntos podem fazer uma excelente política pública. Apresenta a nova Coordenadora de Territórios Criativos da Secretaria de Economia Criativa,Srª.Tássia Toffoli Nunes,parabenizando-a e dando as boas vinda.
A Srª.Tássia Nunes,informa que o Secretário Marcos André Carvalho, está em trabalho externo e que participará da reunião no segundo dia e se apresenta informando que é do quadro de servidores de carreira do MINC,dizendo que está muito satisfeita em poder Coordenar e fazer parte do Colegiado, contribuindo e aprendendo com o Colegiado Setorial de Artesanato e que dará o apoio técnico necessário.Representando a Secretaria de Economia Criativa estará á disposição de tod@s para ouví-l@s.

A Pauta é lida e aprovada por tod@s,seguida dos informes relativos ao setor.

A representante da Região Sul no Colegiado,Marly Cuesta,abre as falas dizendo que uma grata surpresa que o MINC esteja valorizando seus funcionários de carreira,assim como Tássia Nunes na Coord.da SEC e neste Colegiado que fica mais fortalecido com o retorno da Selma Santiago,como Consultora da UNESCO para nos auxiliar na elaboração do Plano Setorial de Artesanato,desejando muita luz à todas nessa missão.

Em seguida,foi feita a apresentação do documento que irá para Consulta Pública e contribuição na estratégia de divulgação e mobilização.A Srª.Magali Moura fala dos cuidado com a comunicação entre o CNPC e Colegiado e vice-versa.

A mestre artesã Marly Cuesta,fala pelo GT da Sistematização sobre as  propostas ao Plano,informando que todas as sugestões recebidas do Colegiado,foram lidas e avaliadas cuidadosamente para serem incluídas no Plano Setorial de Artesanato.Em seguida,a Srª.Fernanda Bellinaso,endossa as palavras da mestre Marly Cuesta e reforça o cuidado com a comunicação.

A Consultora  Selma Santiago,fala do trabalho realizado e que o GT não fez nenhuma alteração no documento,apenas customização de trechos repetitivos e propõe a leitura e alteração no que se fizer necessários para melhorar o documento.

2014-08-19 20.15.23

Leitura e aprovação do texto para Consulta Pública do Plano Setorial,inicia-se pela Primeira Estratégia Criação/Produção onde transformam os textos do item 1.3, para entendimento,em especial sobre o uso do Vale Cultura.Seguindo para o item 1.5, Produção e confecção artesanal de bens alimentares e bebidas,conforme a lista de Atividades artesanais do PL do Artesão  como demanda da categoria.Proposta apresentada e defendida pela mestre artesã e culinarista tradicional,Marly Cuesta, com entendimento e aprovação pelo colegiado.Seguindo para a segunda estratégia que trata da Formação/Capacitação e no item 2.3,os mestres artesãos Vani e Darlindo pedem que seja acrescentado…”que os mestres artesãos sejam os professores no ensino da parte prática”,com apoio do colegiado.Mestre Renato,lembra da titulação do mestre como Bem do Patrimônio Vivo.Seguem as discussões com colaborações de Tássia,Vânia,Edna,Adriana e Reinaldo, sobre o item 2.5 sobre a criação de cursos de acesso público de formação sobre o artesanato no patrimônio material e imaterial.Dando continuidade vão para a terceira estratégia Divulgação,onde a Srª Magali Moura sugere alteração no item 3.1 que trata da da Atualização do Livro Base Conceitual  do Artesanato,com a qual tod@s concordam e seguem para a quarta estratégia Distribuição/Comercialização e no item 4.2 para alteração sobre o seguro coletivo para o transporte do artesanato.Enfim,chegam na quinta estratégia  Fortalecimento do Artesanato,onde depois de algumas discussões,aprovam os itens e avançando para a sexta estratégia Economia,Sustentabilidade Ambiental e Inovação que provocou muitas discussões para aprovação.

2014-08-19 20.14.01Apresentação de estratégias de mobilização para Consulta Pública que será moderada e alterada caso seja necessário conforme exigências da Consultoria Jurídica em respeito às regras da Justiça Eleitoral.

Coordenadores da Mobilização:Marly Cuesta,Vani Maris,Fernanda Bellinaso,Adriana Chaluppe e Abadia de Oliveira com apoio de tod@s.

2014-08-19 20.54.12A Srª.Magali Moura pede a fala para apresentar a Diretora do IPHAN,Srª.Célia Corsino e o Coordenador da Secretaria de Economia Criativa, Sr.Jão Pedro Martins que se juntam ao Colegiado para contribuírem com o Plano.A Srª Célia Corsino entende ser importante a CENARTs na divulgação da Consulta Pública.A mestre artesã,Marly Cuesta sugere a inclusão da SEPPIR no Plano de Divulgação e assim,conclui-se .As contribuições da Diretora Célia Corsino, foram muito valiosas nesse processo de troca de experiências,assim como do Coordenador João Pedro,Magali Moura e Tássia Nunes.

Debate sobre o Plano Setorial,onde a Consultora Selma Santiago,informa que o GT de Sistematização, decidiu não apresentar todo Plano para a Consulta Pública para que o documento fique mais objetivo o que foi aprovado pelo Colegiado.

Seguindo para apresentação do Plano Setorial para discussão e devidas alterações,se necessário.Primeira parte é sobre a Estrutura do Plano, diz Selma Santiago que explica os  Princípios e Objetivos, Eixos e Estratégias,Ações e Metas, seguindo para as discussões.

Ao final mestre Darlindo,solicitou um Relatório por escrito dos representantes do Colegiado,Adriana Chaluppe e Nivaldo Jorge,das atividades na Teia da Diversidade 2014.No momento da Moções,apresentou uma Carta relato dos problemas enfrentados no Vitrines Culturais da Copa 2014.

O Secretário da Economia Criativa,Marcos André Carvalho,chega para o debate e ouve muitas reclamações sobre o edital do Vitrines Culturais e com muita humildade,reconhece os problemas e se diz também,muito sofrido com tudo,afirmando que está aprendendo com o Colegiado e que recebe com alegria as sugestões do Colegiado será ouvido para a elaboração de futuros editais para evitar os problemas.

Ressaltamos publicamente o brilhantismo profissional da Magali Moura e equipe,Tássia Nune e equipe e Consultora Selma Santiago,nos encaminhamentos de construção desse Plano,assim como de todo Colegiado e equipe de apoio.2014-08-20 16.34.06

 

 

 

 

 

 

Assim,fez o encerramento da reunião ordinária do Colegiado.2014-08-20 16.25.07

Aguardem a Consulta Pública do Plano Setorial de Artesanato!

Contagem de palavras: 940 Rascunho salvo às 6:30:13.

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P1040954

Pesquisadores e índios denunciam a retirada de camadas de rochas, com pinturas com mais de 3 mil anos, segundo estimativas de cientista; o objetivo seria vendê-las.

Um sítio arqueológico localizado em terra indígena no município de São Gabriel da Cachoeira, na região do Alto Rio Negro, no norte do Estado do Amazonas, vem sendo alvo de depredações e, possivelmente, de furtos para atender demandas de colecionadores ou de comercialização de gravuras rupestres (petróglifos) em outras regiões do país ou no exterior.

Em São Gabriel da Cachoeira (a 858 quilômetros de Manaus), 90% da população é indígena, pertencente a 23 etnias. Ali estão  alguns dos mais relevantes sítios arqueológicos do Brasil, formados por rochas ribeirinhas, sazonalmente submersas, com gravuras rupestres com mais de 3 mil anos, segundo arqueólogos. Os indígenas consideram as áreas das gravuras rupestres um local sagrado e de forte relação com a sua cosmologia e ancestralidade.

As figuras ficam visíveis apenas na época da vazante do rio, cujo início acontece geralmente no mês de setembro (atualmente o local está submerso). Muitos dos desenhos rupestres estão documentados em publicações do etnólogo alemão Theodor Koch-Grünberg (1872-1924).

As depredações foram denunciadas em documento enviado em março passado ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) pela Federação das Organizações Indígenas do Alto Rio Negro (Foirn), mas até o momento o órgão federal não se manifestou.

A constatação de que o sítio arqueológico sofreu algum tipo de dano grave, propositalmente, para objetivos ainda desconhecidos ocorreu no final de 2012, época da “seca” do rio, quando uma equipe de professores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), com sede em São Gabriel da Cachoeira, percebeu que camadas de pedras tinham sido removidas em um lugar conhecido como Itapinima, na região do rio Uaupés, afluente do rio Negro.

Um dos integrantes da equipe, o professor indígena da etnia tukano, Joscival Vasconcelos, fotografou a área onde teria ocorrido o furto e enviou as imagens para a direção do Ifam e para a Foirn.

Lajes removidas

A professora Roberta de Lima, integrante da equipe do Ifam, contou que ela e outros colegas estavam fotografando e identificando as gravuras para reconhecimento de marcos históricos da área. Quando chegaram às rochas, localizadas a meia hora de voadeira da sede do município de São Gabriel da Cachoeira, em uma área despovoada, depararam com as lajes removidas.

“Dois professores, entre eles o Joscival, viram que pedaços inteiros haviam desaparecidos. No lugar, estavam apenas umas partes brancas. A gente encaminhou o relatório para a diretoria do Ifam, que ficou de tomar providências. A nossa ideia era de que a Polícia Federal também investigasse”, disse Roberta.

Quase no mesmo período da visita da equipe do Ifam, Maiká Schwade e Ivani Faria, dois professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que ministram aulas de Licenciatura Intercultural Indígena no município, também passaram pela área e constataram a depredação do pedral onde havia gravuras rupestres, como relata Schwade:

“No final do ano passado, quando descíamos da comunidade de Taracuá, a professora Ivani Faria pediu para o Rosilvado, piloteiro da voadeira, encostar no local onde estavam esses desenhos rupestres para me mostrar. Mas, antes mesmo de encostarmos, o piloteiro disse que os desenhos rupestres haviam sido roubados e que chegou a ver pessoas trabalhando no local quando foi pescar no rio Uaupés”.

Swchade conta que, ao chegar ao pedral, ele e Ivani perceberam a falta de “dezenas de peças”; apenas as que estavam próximas ao rio permaneciam intatas. “Acredito que os ladrões retiraram a primeira camada (uns 10 cm de pedra) em volta de cada desenho, como se tivessem retirado a casca de uma árvore. Você imagina a dificuldade de transportar isso, é muito peso e exige muito cuidado. Acreditamos que eles só não tiraram todas porque deviam estar submersas. Nossa preocupação é que eles aproveitem mais uma época de seca para roubar o restante”, diz Schwade. As rochas de Itapinima ficam a maior parte do tempo debaixo do rio Uaupés, e aparecem apenas a partir do 2º semestre.

Na região do Alto do Rio Negro indígenas denunciam a violação de um local sagrado: pinturas rupestres estão sendo roubadas do local (Foto: Luiz Eduardo Pontual)

Alertado pelos professores, o diretor do Ifam, Elias Brasilino, visitou a região e constatou os danos: “Depois que recebi um relatório decidi ir até o local. Realmente, um painel grande de pedra foi retirado. Os desenhos e os símbolos, que representam o cotidiano dos povos que ali viveram, sumiram. E era preciso uma ferramenta boa para fazer isso”, descreveu.

Agressão ao patrimônio e à cultura indígena

A arqueóloga Helena Lima, que trabalhou na região do Alto Rio Negro como professora, considera as depredações duplamente graves pois, além de destruir um patrimônio arqueológico, agridem a história e a cosmologia dos povos indígenas que habitam a área.

Em geral são retratados bichos e objetos do cotidiano - peixe, macaquinho, anfíbios, etc (Foto: Ivani Faria)

Em fevereiro de 2011, Helena visitou as rochas do rio Uaupés e não identificou depredação: “Estive no sítio de Itapinima. Ali tem grafismos impressionantes, é um lugar sagrado que fala da cultura de várias etnias. Aliás, toda a região do Alto Rio Negro tem sítios arqueológicos relevantes, embora poucas pesquisas sejam realizadas. As rochas possuem elementos da paisagem e da cultura e apresentam informações valiosíssimas sobre o passado dos índios da região. Se as depredações ou furtos estiverem ocorrendo mesmo é caso para a Polícia Federal investigar ou o Ministério Público Federal e não apenas o Iphan”, alertou.

Para o arqueólogo Raoni Valle, professor do Programa de Antropologia e Arqueologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), caso se confirme a depredação, será “mais um lastimável registro recente de vandalismo grave em sítios de arte rupestre no Amazonas”. Ele lembrou que, em março de 2011, o Iphan interditou o sítio arqueológico Gruta do Batismo, em Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus), após ele e outros arqueólogos identificarem que o painel principal de pinturas rupestres fora destruído.

Petróglifos como este estão sendo alvos de depredação e até furtos (Foto: Ivani Faria)

Em entrevista concedida por e-mail, Valle disse que a diferença no caso do Alto Rio Negro é que ali se trata de uma terra indígena, portanto, um território menos exposto. Segundo ele as gravuras “são realmente muito antigas, indicadores paleoambientais indiretos sugerem que algumas podem ter 3.000 anos ou mais”.

Ainda sem resposta do Iphan

Há pouco mais de quatro meses, no dia 8 de março, a Foirn enviou um documento ao Iphan pedindo medidas de proteção ao local e denunciando a ocorrência de “vandalismos e depredações”. O documento destaca: “Os lugares localizados nas pedras com gravuras, segundo os mais velhos, existem desde a grande viagem da cobra canoa quando a humanidade se gestava. Por razões que desconhecemos, estas pedras vêm sendo alvo de vandalismo e depredação. Assim gostaríamos de solicitar especial atenção e proteção a estes lugares”. A “cobra canoa” faz parte da narrativa dos mitos de origem do povo indígena Tukano, o mais populoso do Alto Rio Negro.

No documento, a Foirn solicita o reconhecimento dos lugares sagrados indígenas como patrimônio cultural, já que são de suma importância para a história dos Tukano, “marcada nas pedras e petróglifos, nos paranás, na foz de rios que são afluentes do rio Negro, em localidades hoje consideradas cidades”. Segundo os indígenas, os lugares “constituem marcos importantes de nossa identidade, da formação e da reprodução de vida da região, pois foi nesses lugares que nossos ancestrais receberam os conhecimentos necessários para que nós, seus descendentes, transformados em gente, pudessem viver”.

As gravuras retratam os seres que provavelmente fazia parte do convívio das antigas populações que ali viviam. (Foto: Ivani Faria)

Os índios ainda não receberam resposta do Iphan, mas, procurada pela Pública, a coordenadora de Conhecimentos Tradicionais Associados do Iphan, Ana Gita de Olliveira, respondeu por e-mail que soube das “mutilações pelas quais as pedreiras que contém tais desenhos estão passando”. Segundo ela, ao voltar de uma viagem pelo rio Negro, de Manaus a São Gabriel da Cachoeira, realizada em fevereiro e março deste ano, entregou a denúncia à diretora do Departamento do Patrimônio Imaterial (DPI) do Iphan e “nada mais soube do assunto”.

A coloração mais clara da rocha é indício de depredação (Foto: Ivani Faria)

A reportagem procurou o DPI por meio de a assessoria da imprensa do Iphan e durante mais de duas semanas reforçou o pedido de entrevista por e-mail e telefone, sem obter resposta. Também enviou, por email, o documento que a Foirn encaminhou ao órgão federal, mas não obteve resposta da assessoria.

Procurada, a superintendente do Iphan no Amazonas, Sheila Campos, informou que “não havia sido comunicada” da situação envolvendo as gravuras rupestres, mas que, tão logo “o Iphan em Brasília” lhe formalizasse a denúncia, iniciaria os “trâmites para as providências de vistorias na área”.

 

Geólogo confirma depredação recente

A reportagem apresentou fotografias das rochas que teriam sido depredadas para o geólogo Marco Antônio Oliveira, superintendente do Serviço Geólogo do Brasil (CPRM) no Amazonas, que confirmou que uma parte do afloramento rochoso foi quebrada. Ele disse que é possível atestar a depredação a partir da área mais clara (como se fosse uma mancha branca), o que indica que ocorreu há pouco tempo.

“Isto não foi fruto da natureza. Alguém bateu com marretada ou algum outro instrumento para pegar alguma amostra ou levar como suvenir. A gente (geólogos) também trabalha com retirada de amostras, mas são pequenas, que cabem na nossa mão. Pelo jeito, levaram uma placa muito maior, o que não é comum”, disse Oliveira, que já visitou a região do Alto Rio Negro em períodos anteriores.

Oliveira defendeu uma atuação interdisciplinar de proteção do sítio rupestre e a criação de um geoparque que permitiria tanto a preservação quanto a realização de atividades turísticas. “Ali é um local muito relevante. A CPRM poderia fazer um cadastro nos geosítios e a Unesco chancelar, declarando a área como um patrimônio. A CPRM poderia fazer uma ação conjunta com o Iphan”, afirmou.

http://apublica.org/2013/08/gravuras-rupestres-somem-de-sitios-arqueologicos-da-amazonia/

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renderizaFcdMidiaO Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) lança em versão online nesta sexta-feira, dia 10 de janeiro, a publicação Educação Patrimonial: histórico, conceitos e processos. A expectativa é que a publicação seja um marco institucional que referencie as ações e experiências no âmbito da Educação Patrimonial, de forma a articular de maneira participativa as unidades do IPHAN, outras instâncias governamentais e a sociedade civil como agentes de uma política com abrangência nacional.

Produzido pela Coordenação de Educação Patrimonial (Ceduc) do Departamento de Articulação e Fomento (DAF/IPHAN), a publicação é resultado de um percurso amplo de debates, pesquisas teóricas e avaliações das práticas e ações educativas voltadas à preservação do Patrimônio Cultural, dentro e fora do IPHAN. Seu conteúdo consolida as atuais diretrizes conceituais e macroprocessos institucionais com os quais o IPHAN tem atuado. O trabalho marca o esforço em constituir o campo da Educação Patrimonial como uma área finalística, de caráter transversal e dialógico, dedicada à promoção, coordenação, integração e avaliação da implementação de programas e projetos educativos no âmbito da Política Nacional do Patrimônio Cultural.

Dividido em três partes, o livro Educação Patrimonial: histórico, conceitos e processos descreve, em primeiro lugar, a trajetória histórica de ações educativas dentro do IPHAN, destacando documentos, iniciativas e projetos utilizados como estratégia de proteção e preservação do patrimônio sob sua responsabilidade. Em seguida, volta-se para a descrição dos fundamentos conceituais que amparam as atuais políticas da área. Por fim apresenta os três macroprocessos institucionais desenvolvidos pela Ceduc: inserção do tema patrimônio cultural na educação formal; gestão compartilhada das ações educativas; e a instituição de marcos programáticos no campo das ações de Educação Patrimonial.

Para ter acesso à publicação Educação Patrimonial: histórico, conceitos e processos clique aqui.

Fonte:

http://portal.iphan.gov.br/portal/montarDetalheConteudo.do?id=18245&sigla=Noticia&retorno=detalheNoticia

 

 

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