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Posts Tagged ‘Academia de Ciências do Vaticano’

Papa Francisco abençoando a Silvana Bragatto_10956268_10200235655731543_4350512364122949507_n Papa Francisco com livro Puntos de Cultura_10426233_877670155627043_3878113638416921971_nPor Célio TurinoPapa Francisco e Célio Turino_digitalizar0007-300x206

Foi inesperado. De repente, uma amiga argentina, Ines Sanguinetti, uma bailarina que dedica sua vida a promover a Cultura Viva Comunitária na periferia de Buenos Ayres, em que “Crear vale la pena”, envia uma mensagem: “estou apresentando-o à Damiana, que trabalhou com o Papa Francisco quando arcebispo e eles gostariam de conhecer mais a ideia dos Pontos de Cultura”. Trocamos algumas mensagens, ela pediu meu currículo sem dizer para que, também enviei meu livro em espanhol, editado na argentina ” Puntos de Cultura – Cultura Viva en movimiento” e ficamos de nos encontrar em abril, quando eu fosse ministrar um curso de gestão cultural em Buenos Ayres. Uma conversa das muitas que realizo com pessoas de diversos países, trocando ideias sobre a Cultura Viva que é realizada pelo mundo afora. Uma semana depois, recebo um convite da Academia de Ciências do Vaticano, para ministrar a Conferência de abertura no tema “Cultura, Educação e Emancipação” no Congresso mundial do programa Scholas Occurrentes (Escolas do Encontro) a ser lançado pelo Papa Francisco, com o objetivo de envolver 60 milhões de jovens em todo o mundo. Mais uma semana e eu estava no Vaticano. Tudo muito rápido e bem definido.

Promover encontros pela paz. Não desses encontros retumbantes, com declarações genéricas e pouca ação prática, mas encontros singulares, pessoa a pessoa. Sessenta milhões de crianças e jovens a se encontrarem pelo mundo, um a um, estabelecendo laços de afeto e confiança. Esta é a ideia das Escolas do Encontro. Algo assim: colocar um jovem Checheno convivendo com um jovem Russo, dormindo no mesmo quarto, dividindo a mesma comida e um tendo que lavar a roupa do outro, como na vila de Rondini, na Itália, em que jovens de países conflagrados são convidados a viver juntos, sob o mesmo teto. E, de repente, um jovem israelense declara que nunca havia conversado com um palestino antes de dividir o quarto com um, e eles se descobrem amigos. Potenciar o encontro, praticar a alteridade (o se reconhecer no “outro” por mais diferente que este “outro” possa parecer), exercitar a tolerância e a paz, esta é a ideia do Scholas Occurrentes.

O Ponto de Cultura pode fazer esta mediação. Aqui não me refiro aos Pontos de Cultura instituídos ou reconhecidos por governos, esses também, mas há muito mais Pontos de Cultura espalhados por aí. Gente boa, criativa e dedicada, fazendo trabalho pelo mundo, entregando suas vidas a organizar a Cultura Viva em suas comunidades. Pode ser uma biblioteca comunitária, ou uma escola de dança, ou grupo de teatro, de hip hop, coletivo audiovisual, com indígenas, jovens de favelas, camponeses, também estudantes universitários, mestres da Cultura Popular, Griôs, contadores de histórias, palhaços, músicos, gente fazendo ecovilas, agroecologia, cooperativas de economia solidária, trabalhos compartilhados em software livre, cultura digital. Tudo cabe na Cultura Viva, basta querer, inventar e fazer. E promover o encontro.

Há realidades extremadas, como jovens vivendo em áreas de guerra. Mas há também outras realidades em que o Encontro deve ser promovido, em que a guerra não é declarada, mas velada (ou não tão velada assim). Não seria uma boa ideia colocar jovens de um colégio arquidiocesano, de classe média alta, para interagir com jovens de uma escola pública no Capão Redondo, em São Paulo? Mesmo morando na mesma cidade, talvez eles nunca tenham se encontrado, como entre os jovens israelense e palestino. Por vezes são escolas que estão ao lado uma da outra, no mesmo bairro ou região, por vezes estes jovens até se cruzam nas ruas, mas nunca se olharam, nunca se ouviram. O jovem da família rica, com acesso a todos os bens de consumo ou conforto, talvez seja até mais excluído de sua cultura, de seu povo, que um jovem que possa morar na favela vizinha. Um, com acesso a shoppings, baladas, cinema multiplex ou roupas de marca, outro, com acesso ao Jongo, à capoeira, às rodas de conversa, saraus de periferia ou grupos de rap. Mas eles tem o que conversar e aprender um com o outro. É aí que entra a cultura e o esporte. Não para promover um encontro forçado, como se fosse uma tarefa escolar, em que cada uma dessas crianças e jovens devesse conversar com a outra em algum momento especial ou em encontros pelo computador. Mas em encontros reais, vivenciados cotidianamente. Um grupo de capoeira, o exercício de produção de um audiovisual entre jovens de realidades tão distintas, um trabalho comunitário (não para que o mais rico se sinta ajudando o mais pobre, mas para uma ação comum, em que um ajuda e aprende com o outro, cuidando de uma horta comunitária, de comida orgânica, por exemplo). Enfim, há tantas possibilidades, tantas necessidades, tanta gente precisando se encontrar (mesmo quando não sabem). Cabe aos Pontos de Cultura do mundo a mediação deste encontro.

Foi o que conversei com o Papa Francisco. E que venham os encontros!

“Fico mais uma vez muito emocionada por fazer arte desta grande família,que foi idealizada com tanto amor,dedicação e competência por Célio Turino, um grande visionário de que a cultura pode muito!Foi graças a ele que lá naquele nosso primeiro Encontro dos Pontos de Cultura,em 2006,em São Paulo,eu estive presente,graças ao seu convite,representando nosso projeto cultural da Associação de Mulheres Vitória-Régia,que eu nem sabia que era um Ponto de Cultura!Suas ações como titular da Secretaria da Cidadania Cultura do Ministério da Cultura,nos ajudaram muito no nosso empoderamento e fortalecimento de nossas companheiras mulheres,suas crianças e jovens!Cada degrau da caminhada do Célio, foi construído assim,com essa singeleza e simplicidade com chega agora ao Vaticano, levado pelo convite do nosso amado Papa Francisco​!Parabéns,Célio Turino,serás sempre o nosso grande Embaixador do Programa Cultura Viva no mundo todo pelo bem viver dos povos!”São as palavras emocionadas da Tuxáua Marly Cuesta.

http://www.revistaforum.com.br/brasilvivo/2015/02/23/encontro-com-papa-francisco/

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Célio Turino, no MIS-Campinas: a consciência do significado do convite do Papa Francisco (fotos José Pedro Martins)

Célio Turino recebeu na última sexta-feira o convite da Academia de Ciências do Vaticano para proferir a conferência de abertura de seminário organizado pelo papa Francisco, sob o tema “Arte e Inclusão Social”. Entretanto, apenas hoje, 28 de janeiro, olhando, da sacada do Museu da Imagem e do Som (MIS), a reforma da Catedral Metropolitana de Campinas, ele diz que tomou consciência da responsabilidade e do significado do convite. Para a Agência Social de Notícias, Turino detalha a história por trás desse chamado do Vaticano e cita nomes – como Magalhães Teixeira, Jacó Bittar e Antônio Augusto Arantes – que segundo ele contribuíram para a trajetória que culminou em um conceito novo de cultura. Um conceito nascido em Campinas, como faz questão de ressaltar. O possível ponto de partida para uma grande transformação social.

Ele conta que foi tudo muito rápido: “Há uns 15 dias uma amiga argentina escreveu para mim, pedindo meu livro em espanhol, mais currículo e me colocando em contato com uma pessoa que trabalhava com o Papa Francisco em projetos sociais na periferia de Buenos Aires, na época que ele era Arcebispo. Enviei o solicitado, conversamos um pouco por email, e disse que em abril estaria ministrando um curso de gestão cultural em Buenos Aires, quando poderíamos conversar melhor”.

O currículo de Célio Turino é extenso, começando por sua atuação na Prefeitura de Campinas, mas ele se tornou uma referência nacional e internacional por ter sido, durante a gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura, o grande organizador e executor do Programa Cultura Viva. A iniciativa resultou no apoio a milhares de pontos de cultura em todo Brasil, fonte de movimento que ganhou impulso e chegou a vários países. Turino documentou essa experiência no livro “Ponto de Cultura – o Brasil de baixo para cima”. Traduzido em espanhol como “Puntos de Cultura – Cultura viva en movimiento”, é este livro e aquela experiência que estão na origem do convite papal.

Célio Turino diz que a conversa com Damiana foi rápida, a assistente do Papa no programa “Scholas Ocorrentes” “também não abriu muita coisa, agradeceu o livro e disse que depois entraria em contato”. Enfim, ele afirma, tudo indicava que seria mais uma conversa com tanta gente boa que tem conhecido pelo mundo, principalmente pela América Latina, trocando ideias sobre arte, vida, inclusão social, autonomia, protagonismo, empoderamento das pessoas. “Cultura Viva, enfim”, resume.

No último dia 23, contudo, o convite oficial da Pontifícia Academia de Ciências, para Turino fazer a conferência de abertura do seminário “Scholas Ocorrentes”, projeto de esporte e cultura para crianças e jovens que o Papa pretende apresentar para o mundo nos próximos meses. O seminário acontece entre 2 e 5 de fevereiro. Turino parte na sexta-feira, 30 de janeiro, para Roma.

Célio explica que os assessores do Papa Francisco haviam conhecido Pontos de Cultura na Argentina “e queriam entender melhor os conceitos e teoria da Cultura Viva, ideia que nasceu em Campinas e hoje está espalhada por 17 países da América Latina”.

Turino reconhece: “É estranho dizer isso, mas na hora do convite fiquei até em dúvida se era verdade, não por desdém ou por achar que fosse algum trote (poderia ter sido!-risos), mas fiquei entre um misto de felicidade (com a honra do convite e a responsabilidade) e incredulidade. Tanto que só depois de confirmar a passagem (hoje pela manhã) é que fui me acostumando com a ideia”.

Com a passagem na mão, e da sacada do MIS-Campinas, Célio Turino faz então uma viagem pelo tempo, processando, finalmente, todo o significado do convite: “Fico pensando nos 180 degraus da Catedral, que subia junto com meu pai, para dar corda no relógio (sou filho do relojoeiro da igreja). Também me recordo das vezes em que saia na procissão de São Benedito, vestido como ele! (mais risos). Promessa de minha avó, para que eu fosse curado da bronquite”.

O itinerário pela memória continua: “Lembro de meu avô, quando vendíamos empadas pelas ruas da Vila Industrial, isto quarenta anos atrás, um pouco mais. Penso em minha mãe, Elza, a quem vou dedicar esta viagem (pena que ela não pode ir comigo) por tudo que me ensinou. Passando destas memórias íntimas, lembro-me de outras, de quando decidi ser comunista, ainda adolescente, lutando contra a ditadura, andando pelas periferias de Campinas, acordando nas madrugadas, para piquetes em portas de fábrica, panfletagens pela cidade, comícios, passeatas, enfrentamentos com a repressão”.

E, seguindo no tempo, Célio Turino afirma recordar do primeiro dia em que foi trabalhar na Secretaria de Cultura de Campinas, como gráfico, operador de impressora off-set, para imprimir o “Ver e Ouvir”, a programação de cinema de arte do MIS (“uma semana por mês, salas lotadas, lá no Castro Mendes”), e também os cadernos de astronomia.

Se lembra, também, das feiras de arte e cineclubes que realizava nas favelas e periferias: “Isso no início dos anos 80, quando a diretora de cultura (era filha do francisco Amaral, lembro dela, assim como do Grama, que me contratou como gráfico, quando fora secretário de cultura, isso em 1977) me autorizou a deixar de ser gráfico para trabalhar como animador cultural”.

E mais: o tempo em que trabalhou no Museu do Bosque (“gostava tanto do cheiro da terra e da mata, principalmente quando chovia”), o curso de História na UNICAMP. “Também o Augusto Arantes que, para mim, além de secretário de cultura e chefe, foi orientador e mestre, aprendi muito com ele, o primeiro Ponto de Cultura a levar o nome de Ponto de Cultura foi nesta época, em Joaquim Egídio”, relembra.

Depois, com o prefeito Jacó Bittar, Célio tornou-se Secretário de Cultura. “Era jovem para ser secretário, mas me dediquei tanto, pudemos fazer tantas coisas boas e belas, o Recreio nas Férias (um dia quero ter forças para retomar este projeto para o Brasil inteiro), as Casas de Cultura, a programação cultural da cidade, o Lago do Café, o Museu na Lidgerwood. Minhas filhas nasceram, Mariana, depois Carolina. A vida em Sousas”.

E aí veio o Ministério da Cultura. “Bem, aí é outra história e os Pontos de Cultura se espalharam pelo Brasil inteiro”, assinala.

Célio continua: “São estas histórias que estarão em mim quando estiver falando no Vaticano. Será por estas histórias que vou pedir forças. O mundo pode ser melhor com a Cultura, com a Arte, com a generosidade, com a criatividade, a Potência e o Afeto. Que o Papa Francisco tenha a força e luminosidade (ele tem muita!) para levar tudo isso para o mundo. Agora (saindo da sacada do MIS e adentrando no Palácio dos Azulejos), me dou conta da honra e da responsabilidade do convite. Honrarei com humildade. E que Silvana, minha amada esposa, segure minha mão quando eu estiver por lá”.  E conclui: “Obrigado a todos que fizeram parte desta história”.
De Joaquim Egídio para o Vaticano. Todos os caminhos levam à cultura viva.
“Desejamos muitas bênçãos e luz na missão do Célio Turino”,diz a Tuxáua e mestra artesã,Marly Cuesta.

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