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Posts Tagged ‘A cultura Viva de Campinas e do Brasil no Vaticano’

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Célio Turino, no MIS-Campinas: a consciência do significado do convite do Papa Francisco (fotos José Pedro Martins)

Célio Turino recebeu na última sexta-feira o convite da Academia de Ciências do Vaticano para proferir a conferência de abertura de seminário organizado pelo papa Francisco, sob o tema “Arte e Inclusão Social”. Entretanto, apenas hoje, 28 de janeiro, olhando, da sacada do Museu da Imagem e do Som (MIS), a reforma da Catedral Metropolitana de Campinas, ele diz que tomou consciência da responsabilidade e do significado do convite. Para a Agência Social de Notícias, Turino detalha a história por trás desse chamado do Vaticano e cita nomes – como Magalhães Teixeira, Jacó Bittar e Antônio Augusto Arantes – que segundo ele contribuíram para a trajetória que culminou em um conceito novo de cultura. Um conceito nascido em Campinas, como faz questão de ressaltar. O possível ponto de partida para uma grande transformação social.

Ele conta que foi tudo muito rápido: “Há uns 15 dias uma amiga argentina escreveu para mim, pedindo meu livro em espanhol, mais currículo e me colocando em contato com uma pessoa que trabalhava com o Papa Francisco em projetos sociais na periferia de Buenos Aires, na época que ele era Arcebispo. Enviei o solicitado, conversamos um pouco por email, e disse que em abril estaria ministrando um curso de gestão cultural em Buenos Aires, quando poderíamos conversar melhor”.

O currículo de Célio Turino é extenso, começando por sua atuação na Prefeitura de Campinas, mas ele se tornou uma referência nacional e internacional por ter sido, durante a gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura, o grande organizador e executor do Programa Cultura Viva. A iniciativa resultou no apoio a milhares de pontos de cultura em todo Brasil, fonte de movimento que ganhou impulso e chegou a vários países. Turino documentou essa experiência no livro “Ponto de Cultura – o Brasil de baixo para cima”. Traduzido em espanhol como “Puntos de Cultura – Cultura viva en movimiento”, é este livro e aquela experiência que estão na origem do convite papal.

Célio Turino diz que a conversa com Damiana foi rápida, a assistente do Papa no programa “Scholas Ocorrentes” “também não abriu muita coisa, agradeceu o livro e disse que depois entraria em contato”. Enfim, ele afirma, tudo indicava que seria mais uma conversa com tanta gente boa que tem conhecido pelo mundo, principalmente pela América Latina, trocando ideias sobre arte, vida, inclusão social, autonomia, protagonismo, empoderamento das pessoas. “Cultura Viva, enfim”, resume.

No último dia 23, contudo, o convite oficial da Pontifícia Academia de Ciências, para Turino fazer a conferência de abertura do seminário “Scholas Ocorrentes”, projeto de esporte e cultura para crianças e jovens que o Papa pretende apresentar para o mundo nos próximos meses. O seminário acontece entre 2 e 5 de fevereiro. Turino parte na sexta-feira, 30 de janeiro, para Roma.

Célio explica que os assessores do Papa Francisco haviam conhecido Pontos de Cultura na Argentina “e queriam entender melhor os conceitos e teoria da Cultura Viva, ideia que nasceu em Campinas e hoje está espalhada por 17 países da América Latina”.

Turino reconhece: “É estranho dizer isso, mas na hora do convite fiquei até em dúvida se era verdade, não por desdém ou por achar que fosse algum trote (poderia ter sido!-risos), mas fiquei entre um misto de felicidade (com a honra do convite e a responsabilidade) e incredulidade. Tanto que só depois de confirmar a passagem (hoje pela manhã) é que fui me acostumando com a ideia”.

Com a passagem na mão, e da sacada do MIS-Campinas, Célio Turino faz então uma viagem pelo tempo, processando, finalmente, todo o significado do convite: “Fico pensando nos 180 degraus da Catedral, que subia junto com meu pai, para dar corda no relógio (sou filho do relojoeiro da igreja). Também me recordo das vezes em que saia na procissão de São Benedito, vestido como ele! (mais risos). Promessa de minha avó, para que eu fosse curado da bronquite”.

O itinerário pela memória continua: “Lembro de meu avô, quando vendíamos empadas pelas ruas da Vila Industrial, isto quarenta anos atrás, um pouco mais. Penso em minha mãe, Elza, a quem vou dedicar esta viagem (pena que ela não pode ir comigo) por tudo que me ensinou. Passando destas memórias íntimas, lembro-me de outras, de quando decidi ser comunista, ainda adolescente, lutando contra a ditadura, andando pelas periferias de Campinas, acordando nas madrugadas, para piquetes em portas de fábrica, panfletagens pela cidade, comícios, passeatas, enfrentamentos com a repressão”.

E, seguindo no tempo, Célio Turino afirma recordar do primeiro dia em que foi trabalhar na Secretaria de Cultura de Campinas, como gráfico, operador de impressora off-set, para imprimir o “Ver e Ouvir”, a programação de cinema de arte do MIS (“uma semana por mês, salas lotadas, lá no Castro Mendes”), e também os cadernos de astronomia.

Se lembra, também, das feiras de arte e cineclubes que realizava nas favelas e periferias: “Isso no início dos anos 80, quando a diretora de cultura (era filha do francisco Amaral, lembro dela, assim como do Grama, que me contratou como gráfico, quando fora secretário de cultura, isso em 1977) me autorizou a deixar de ser gráfico para trabalhar como animador cultural”.

E mais: o tempo em que trabalhou no Museu do Bosque (“gostava tanto do cheiro da terra e da mata, principalmente quando chovia”), o curso de História na UNICAMP. “Também o Augusto Arantes que, para mim, além de secretário de cultura e chefe, foi orientador e mestre, aprendi muito com ele, o primeiro Ponto de Cultura a levar o nome de Ponto de Cultura foi nesta época, em Joaquim Egídio”, relembra.

Depois, com o prefeito Jacó Bittar, Célio tornou-se Secretário de Cultura. “Era jovem para ser secretário, mas me dediquei tanto, pudemos fazer tantas coisas boas e belas, o Recreio nas Férias (um dia quero ter forças para retomar este projeto para o Brasil inteiro), as Casas de Cultura, a programação cultural da cidade, o Lago do Café, o Museu na Lidgerwood. Minhas filhas nasceram, Mariana, depois Carolina. A vida em Sousas”.

E aí veio o Ministério da Cultura. “Bem, aí é outra história e os Pontos de Cultura se espalharam pelo Brasil inteiro”, assinala.

Célio continua: “São estas histórias que estarão em mim quando estiver falando no Vaticano. Será por estas histórias que vou pedir forças. O mundo pode ser melhor com a Cultura, com a Arte, com a generosidade, com a criatividade, a Potência e o Afeto. Que o Papa Francisco tenha a força e luminosidade (ele tem muita!) para levar tudo isso para o mundo. Agora (saindo da sacada do MIS e adentrando no Palácio dos Azulejos), me dou conta da honra e da responsabilidade do convite. Honrarei com humildade. E que Silvana, minha amada esposa, segure minha mão quando eu estiver por lá”.  E conclui: “Obrigado a todos que fizeram parte desta história”.
De Joaquim Egídio para o Vaticano. Todos os caminhos levam à cultura viva.
“Desejamos muitas bênçãos e luz na missão do Célio Turino”,diz a Tuxáua e mestra artesã,Marly Cuesta.
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