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Archive for the ‘Participação Cultural’ Category

Campanha de estudantes de Publicidade e Propaganda da UFC e Associação para Desenvolvimento Local Co-produzido (Adelco), que trabalha com os povos indígenas do Ceará, dá visibilidade às lutas dos povos indígenas do Ceará


Por Maristela Crispim

Extermínio de indígenas e invasão de seus territórios, luta pela demarcação de terras, preservação da memória e tradição das tribos são questões enfocadas na campanha para mídias sociais criada por alunos do Curso de Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, do Instituto de Cultura e Arte (ICA) da Universidade Federal do Ceará (UFC), para o Dia do Índio (19 de abril).

O trabalho foi feito durante a disciplina opcional Ética Aplicada à Criação Publicitária, que está sendo ministrada neste semestre pela professora Glícia Pontes, numa parceria com a Organização Não-Governamental (ONG) Associação para Desenvolvimento Local Co-produzido (Adelco), que trabalha com os povos indígenas do Ceará.

“Estamos fazendo a campanha para dar visibilidade à luta dos povos indígenas aqui no Estado. Este ano tem sido bem difícil por conta da política anti indígena que se estabelece nesse novo governo por meio da Medida Provisória (MP) Nº 870”, explica a coordenadora executiva da Adelco, Adelle Azevedo.

“No Ceará são 22 terras reivindicadas e apenas uma com o processo concluído. A ideia da campanha é dar visibilidade às 14 etnias existentes no Estado e divulgar o Centro de Documentação da Adelco que é um local onde é possível encontrar informações sobre os povos”, esclarece Adelle.

Ainda segundo suas informações, hoje o principal desafios desses povos é a demarcação das terras, a manutenção e ampliação das políticas de saúde e educação indígena e a gestão ambiental das terras, além da garantias de política públicas para projetos produtivos.

Processo criativo colaborativo
Segundo a professora Glícia, na disciplina Ética aplicada à Criação Publicitária, se trabalha briefings que desafiem os estudantes a pensarem questões que muitas vezes são invisibilizadas do cotidiano do profissional de Comunicação.

“Somos motivados pela ideia de pensar algo sobre representações sociais, uma discussão que vem sendo muito fomentada no nosso cotidiano. Temos uma discussão avançada sobre mulheres e o público LGBT, mas nunca voltamos o olhar de uma forma mais aprofundada em direção à representação indígena na mídia. Daí pensamos na parceria com a Adelco, que tem um centro de documentação com pouca divulgação”, conta.

“Nós percebemos que uma das demandas deles eram as mídias sociais. A partir disso fizemos um processo criativo colaborativo, que contou com a presença da assessora de imprensa da ONG, a Roberta França; e de Isabelle Louise, que é Tremembé e é aluna do curso, embora não esteja matriculada nesta disciplina. Fizemos primeiro uma discussão sobre o que é ser indígena hoje, quais são os desafios, e percebemos que a principal reivindicação ainda é a demarcação das terras e como o Dia do Índio é visto de uma forma caricatural e pouco voltada às lutas indígenas. Daí resolvemos fazer uma campanha que enfrentasse alguns temas e definimos, juntos, quatro para as peças: Terra, Luta, Memória e Identidades”, explica.

“Entramos em discussão do que é necessário para nós, indígenas, vivermos, e como temos expressado nossa luta por meio desses temas”, reforça Isabelle Louise, que e estudante do oitavo semestre e responsável pelas fotos utilizadas na campanha.

Glícia destaca que, a ideia dessa disciplina é se desafiar a pensar de uma forma mais colaborativa, que passa muito mais verdade. “O que a gente vê, muitas vezes, são essas pautas de representatividade social serem tratadas, elaboradas por pessoas que não vivenciam aquela realidade e por isso trabalham de uma forma extremamente caricatural e estereotipada. Nós tentamos nos aproximar para ter mais consistência. Óbvio que, como são peças pontuais, rápidas, não dá para contemplar tudo. O que quisemos deixar claro é que o Dia do Índio não é dia de se fantasiar de índio. É dia de pensar sobre esses povos, que vivem um processo de extermínio há séculos e que construíram a nossa história.

A campanha consta de quatro peças intituladas “Terra“, “Luta“, “Memória” e “Identidades“, acompanhadas de texto explicativo. O programador visual da Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional da UFC, Norton Falcão, colaborou na orientação para a finalização das peças.

O material começou a ser divulgado nesta semana nas páginas da Adelco no Facebook (https://www.facebook.com/adelcobrasil) e Instagram (@adelcobrasil).

TAGS: (ADELCO ASSOCIAÇÃO PARA DESENVOLVIMENTO LOCAL CO-PRODUZIDO), CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DA ADELCO, CURSO DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA, DIA DO ÍNDIO, ESPECIAL, ÉTICA APLICADA À CRIAÇÃO PUBLICITÁRIA, IDENTIDADES, INSTITUTO DE CULTURA E ARTE (ICA), LUTA, MEMÓRIA, ORGANIZAÇÃO NÃO-GOVERNAMENTAL (ONG), TERRA, UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (UFC)

Fonte

Campanha revê representação indígena na mídia

#adelco #diadoindio #identidade #ICA #luta #memoria #terra #UFC

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19 de abril,nada a ser comemorado pq os povos indígenas continuam sendo crucificados

Partindo de uma visão cristã poderíamos dizer que os povos indígenas, no Brasil, estão sendo crucificados, por um governo que diz se sustentar em princípios cristãos, uma afirmação que de fato não responde às atitudes reais.

Nada é por acaso, e não é por acaso que no ano de 2019, o “Dia do Índio”, um termo pejorativo desde que foi acunhado pelos invasores europeus, seja na Sexta-feira Santa, o dia em que os católicos fazemos memória da Crucifixão de Jesus, alguém que morreu porque era contra o sistema estabelecido.

No Brasil, aos poucos foi se instalando um sistema que colocou os povos indígenas como “empecilho para o desenvolvimento”, uma ideia que cobrou força no tempo da Ditadura Militar, que assolou o país por mais de vinte anos e marcou uma política de perseguição contra os povos originários, especialmente na Amazônia, onde os grandes projetos foram se instalando como promessa de um desenvolvimento que que só beneficiou uns poucos e prejudicou os mais pobres e o meio ambiente, preservado secularmente pelos povos originários, os melhores guardiões da Casa Comum.

Essa foi uma política continua nos últimos cinquenta anos, mas que desde 1º de janeiro aumentou de forma desmedida, por parte de um governo que seus primeiros 100 dias de governo, tem sido de guerra contra os povos indígenas, como afirmou Fiona Watson, diretora de pesquisas da Survival International, protetora dos direitos indígenas.

Aldeia Indígena Aracuã

No artigo, publicado originalmente no blog 35000 Milliones / Planeta Futuro, ela afirma que “esta administração racista está lançando abertamente um ataque sem precedentes contra os povos indígenas do Brasil, com o objetivo explícito de destruí-los como povos, assimilando-os pela força e saqueando suas terras”. Desde uma visão cristã poderíamos dizer que os povos indígenas, no Brasil, estão sendo crucificados, por um governo que diz se sustentar em princípios cristãos, uma afirmação que de fato não responde às atitudes reais.

Reunião de apoio e criação do GT-Mediação de Conflitos Indígenas

A visão racista do novo presidente é uma constante em sua vida política, com afirmações que em muitos países seriam motivo de punição, pois não respeitam os princípios da Constituição Federal, lei suprema do estado brasileiro. Resultam inaceitáveis algumas de suas afirmações, “pena que a cavalaria brasileira não tenha sido tão eficiente quanto a americana, que exterminou os índios”, ao mesmo tempo que outras mostram uma grande falta de conhecimento histórico, “não tem terra indígena onde não têm minerais. Ouro, estanho e magnésio estão nessas terras, especialmente na Amazônia, a área mais rica do mundo. Não entro nessa balela de defender terra pra índio”. Por outro lado, aqueles que o elegeram sabiam quais eram seus propósitos, “se eu assumir [a Presidência do Brasil] não terá mais um centímetro para terra indígena”. A última medida foi colocar a Força Nacional de Segurança nas ruas de Brasília para impedir o bom decorrer do Acampamento Terra Livre.

No dia 11 de abril, um decreto presidencial extinguia os conselhos sociais do governo federal, dentre eles vários que tem a ver com os povos indígenas, como o Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI) e a Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena (CNEEI), que acompanhava a execução de políticas públicas para quase 3 mil escolas indígenas espalhadas pelo país.

A medida visa asfixiar os instrumentos democráticos de participação social na definição de políticas públicas e controle social, como recolhe em seu site o Conselho Indigenista Missionário – CIMI, que já foi definido pelo atual presidente brasileiro como “parte podre da Igreja católica”.

O apoio do CIMI é fundamental nas lutas de nossos povos indígenas.

Qual é o futuro dos povos indígenas no Brasil? Essa é uma pergunta que cada vez está mais presente na mente de muitos brasileiros. É por isso que se faz necessária uma reação a partir da fé naquele que foi crucificado. Não podemos esquecer que a Vida está acima da morte, que estar junto aos povos indígenas é estar do lado de quem pode nos ensinar a cuidar da Mãe Terra como um bem sagrado e indispensável no presente e no futuro da humanidade.

CEBs e Pastorais pelo bem viver de nossos povos indígenas

O Papa Francisco em sua peregrinação pelos povos indígenas

A Igreja católica está vivendo um tempo de graça, um kairós, com o Sínodo da Amazônia, onde os povos indígenas têm um papel fundamental, resultando decisivo seu aporte na tentativa de encontrar novos caminhos para uma ecologia integral. Escutemos suas dores, que é a mesma dor daquele que foi transpassado pela lança de um sistema que o via como inimigo para seus planos perversos. Fazer memória do passado é instrumento para ler o presente, para entender que Jesus continua sendo crucificado nos povos indígenas, inclusive por quem se diz religioso, e acha estar agindo em nome de um Deus que ele coloca acima de tudo.

Fontes:

CEBs Manaus na vivência da comunidade Ticuna

https://photos.google.com/u/1/album/AF1QipNJDyKzAw4Eq-sR9nH9PBoEiK1rZnhj3zbMzOUH?key=CMvbuOrxkaGUFg

https://photos.google.com/u/1/album/AF1QipNnQ8oy7V8gor-VietB5xvAzj7lnZ7imqavWYqd?key=COS2_4aCzN2qAQ

https://photos.app.goo.gl/P24MbsX3vQyq8g577

https://photos.app.goo.gl/b3hKcSYs8vHJnc8C9

https://photos.app.goo.gl/A2MDonRTLU8TDvDs5

https://photos.app.goo.gl/iytAAXkt5G1Yg7fKA

https://goo.gl/photos/Nmwni7UU2q4ajnUr8

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artesanato indigena de roraima_downloadO Dia Mundial do Artesão foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e foi uma forma bem simbólica de homenagear uma das profissões mais antigas do mundo. Já no período paleolítico, 6 mil anos de Cristo, o homem já utilizava de sua inteligência primitiva e de suas mãos para criar artefatos que seriam úteis para o seu dia-a-dia, como o fogo e ferramentas de trabalho.

A data, 19 de Março, foi escolhida por ser também o dia de São José, padroeiro da profissão.

O artesanato é fator de geração de renda e de inclusão social para milhares de famílias do país e do mundo, graças aos saberes de nossos Mestres Artesãos.

No Brasil, em de outubro de 2015, a presidente Dilma Rousseff sancionou o projeto que regulamentou a profissão de artesão. A Lei 13.180, de 22 de outubro de 2015, foi uma conquista de mais de 10 milhões de artesãs e artesãos que lutaram arduamente para esse objetivo!

(null)O Dia Mundial do Artesão foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU)O Dia Mundial do Artesão foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU)

ORAÇÃO DO ARTESÃO

“Senhor! Tu que és maior dos artistas, fonte das mais belas inspirações. Abençoa meu talento e as minhas obras.

Maravilhoso é o dom que me deste, na louvada missão de servir-te com
alegria, e de exercer meu trabalho com amor e dedicação. Por isso,
agradeço-te por permanecer sempre comigo.

Dá-me o equilíbrio entre a razão e a emoção, humildade e sabedoria para me aperfeiçoar.

Inspira-me, ó Mestre, a criação do novo e do belo. Protege também, todos os artesãos e os artistas em suas carreiras e gêneros.

Faze com que minhas obras contribuam para a construção do teu reino,
e que eu prospere, seguindo teus desígnios, pelos caminhos gloriosos da
arte.

Amém!”

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Musicoterapia

Feliz Dia do Músico

“A voz melodiosa foi ouvida dos céus”,é uma frase de “A Song for St. Cecilia’s Day”, um poema de 1687.

“Antes de ser especial dos músicos, a data foi criada pelos católicos como Dia de Santa Cecília, que é a padroeira (cristã) dos músicos (curiosidade: na mitologia grega, a Musa da Música é Euterpe, Zeus e Mnemósine). Sabe o motivo dela ter se tornado nossa padroeira?

Ela cantou e perseverou!

Segundo a história, Cecília era filha de uma família bem abastada no século II e foi prometida, mesmo à contra gosto, para um casamento arranjado com um rico cidadão de Roma, chamado Valeriano. Todos felizes, menos ela.

Durante o casamento ela cantou (quer dizer louvou, segundo nossos amigos cristãos) a Deus de todo o seu coração. Dizem que, graças a isso, conseguiu conservar seu celibato, mesmo casando com um pagão que não entendia o cristianismo e levar uma mensagem muito forte para os cidadãos do local onde residia. Essa mensagem perdurou por séculos.

A canção fora tão forte para si mesma naquele dia, que durante sua vida conjugal, fez seu marido e cunhado se converterem ao cristianismo tempos depois.

O prefeito de Roma, na época, ficou sabendo dessa conversão e exigiu que eles se “desconvertessem” sob pena de morte. A intolerância religiosa era bem comum antigamente (será que só naquela época?). Eles não se converteram e foram executados.


Sozinha, Cecilia também foi chamada a depor, tendo que informar o paradeiro dos tesouros do marido (reconhecidamente um nobre romano). O prefeito perguntou onde ela os tinha guardado e a resposta foi “guardei com os pobres”.

Sim, ela doou o tesouro aos mais necessitados. Irado com a ação, o prefeito exigiu que ela fosse ao templo e cultuasse os deuses do panteão romano (Júpiter, Marte, Netuno e outros).

Foi escoltada e no caminho convenceu os guardas a se converterem.

Não satisfeito com a dificuldade em tornar Cecília uma pagã, Almachius (o prefeito), mandou trancafiá-la em uma câmara para morrer asfixiada por vapores quentes de água. Ela saiu ilesa, dias depois.

Esgotadas suas tentativas de tortura cruéis, o prefeito emitiu a sentença de morte por decapitação, sua última e definitiva cartada.

No dia que foi marcada a sentença em praça pública, Cecília levou três golpes de machado de seu algoz. Para a surpresa de todos, nada de decapitação, porém, o ferimento era mortal. Mesmo assim, por três dias ela viveu.

Como últimos desejos, pediram que distribuísse sua parte da riqueza e família para os pobres e que transformasse sua antiga casa em uma igreja cristã, desejos prontamente atendidos.

Que história, não é? Ela foi considerada patrona dos músicos a partir do século XV e desde então, nomeia o dia 22 de novembro como dedicados aos músicos.

Cada um retira a moral que bem entender dessa história, baseado em suas convicções e valores. Eu entendo que Perseverança, Fé, Convicção, Caráter, Solidariedade e Respeito são só algumas lições que estão ai no texto e na vida de Santa Cecília. Mas enxergo, também, algo mais atual:

Obstáculos a serem vencidos.

Músicos são pessoas convictas, perseverantes e que exigem respeito (olha que até encaixa), mas a sociedade coloca muitas barreiras sobre nossa profissão.

crença sobreviveu, hoje algumas pessoas derrubam barreiras e é em cada vitória que o ofício do músico se alastra.

E o exemplo que o cristianismo deu (nesse episódio) e que ilustra nossa opinião é:

Se você acreditar, há de conseguir.

O mercado é difícil? Sim. Tem lugar para todo mundo? Não. A sociedade respeita? Mais ou menos. É por isso que admiramos vocês todos, inabaláveis em sua paixão pela música.”

“Parabéns, músicos de todos os rincões”,disse a mobilizadora cultural e Taxáua,Marly Cuesta.

Fonte:
http://blog.santoangelo.com.br/dia-do-musico-a-historia-e-o-motivo-de-comemorar/

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Ouro Preto lança Ano do Patrimônio Cultural e reabre Chafariz dos ContosOuro Preto lança Ano do Patrimônio Cultural e reabre Chafariz dos Contos

Reabertura do Chafariz dos Contos reverencia o patrimônio cultural e abre uma série de comemorações sobre a história da cidade barroca tricentenária, berço de Aleijadinho
Gustavo Werneck

Restaurado, o Chafariz dos Contos será entregue oficialmente hoje, com água potável, no lançamento do Ano do Patrimônio Cultural
(foto: Patrícia Souza/Prefeitura de Ouro Preto/Divulgação)
Ouro Preto – Uma solenidade na noite de hoje, no Centro da cidade reconhecida como patrimônio cultural da humanidade, lança o Ano do Patrimônio Cultural e dá início a uma série de comemorações sobre a história de Ouro Preto, antiga Vila Rica. No total, serão 10 marcos festivos ao longo de 2018 (veja quadro), em datas que celebram oficialmente, entre outros, os 280 anos de nascimento do filho ilustre, Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, 320 anos da chegada do bandeirante paulista Antonio Dias, fundador do primitivo arraial, e 80 anos de tombamento do conjunto barroco pelo governo federal, quando Getúlio Vargas (1882-1954) era presidente. Arte, educação patrimonial, religiosidade, gastronomia e cultura popular estão unidos e à disposição de visitantes que chegam de toda parte para se encantar com igrejas, casario e monumentos dos séculos 18 e 19.
A fim de reverenciar a memória de homens e mulheres que construíram – e constroem – a história tricentenária, o Executivo municipal instituiu o Ano do Patrimônio Cultural em Ouro Preto, com lei aprovada por unanimidade na Câmara. Às 19h, durante a reabertura do Chafariz dos Contos, que ficou 20 anos seco, o prefeito Júlio Pimenta sancionará simbolicamente a lei e presenciará a volta da água potável à peça de cantaria que demandou oito meses de restauração com recurso do Fundo Municipal do Patrimônio. Para garantir a pureza, foram instalados filtros subterrâneos.

Coordenando a realização dos eventos, com apoio da iniciativa privada, o secretário municipal de Cultura e Patrimônio de Ouro Preto, Zaqueu Astoni Moreira, informa que as ações visam fortalecer a educação patrimonial e o “sentimento de pertencimento” dos moradores com seu acervo histórico. “Nosso grande desafio é dar continuidade a todas as ações de restauro e envolver a comunidade. É preciso aliar preservação, mobilidade urbana e evitar o crescimento desordenado com políticas públicas voltadas para a habitação em todos os níveis.”

CAMINHO DAS ÁGUAS Na semana de abertura dos eventos, as águas norteiam os caminhos na ex-Vila Rica, e o Chafariz dos Contos está bem inserido nessa trajetória. Equipamento de 1760, usado originalmente para abastecimento público e agora livre dos tapumes, ele traz uma inscrição em latim (Is quae potatum cole gens pleno ore Senatum, securi ut sitis nam jacit ille sitis) numa referência ao antigo Senado da Câmara. A tradução é: “Povo que vens beber, louva de boca cheia o Senado, porque tens sede e ele faz cessar”.

Em resumo, o Senado da Câmara, como administrador impessoal, e não o governador da época, entregou à população a obra de utilidade pública. De tão importante, o chafariz tem réplica num parque da cidade norte-americana de Brazil (com z mesmo), no estado de Indiana. Foi dado de presente pelo ex-embaixador do Brasil em Washington (EUA) Maurício Nabuco (1937-1985).

A água voltará a jorrar também no chafariz do Museu da Inconfidência, embora apenas nas datas cívicas. Quem visitar Ouro Preto até 29 de abril poderá ver uma exposição no anexo do museu sobre o uso da água nos séculos 18 e 19. Por meio de documentos, inclusive legislação e plantas do esgotamento sanitário, será contada a história de oito chafarizes da cidade. Entre os destaques da mostra estão a réplica do busto existente no Alto da Cruz, considerada a primeira peça de Aleijadinho, alcatruzes (encanamentos antigos), torneiras de chumbo e outros da reserva do Arquivo Público Municipal e Museu da Inconfidência. Os estudantes que visitarem o espaço receberão uma cartilha com informações sobre educação patrimonial e alusivas à Semana da Água.

Vista parcial da cidade de Ouro Preto, a primeira no país a receber título de patrimônio histórico da humanidade, concedido pela Unesco em 1980

DESAFIOS Numa caminhada pelo Centro Histórico e arredores, é possível ver que ainda são muitos os desafios a serem vencidos em Ouro Preto, principalmente na ocupação das encostas. A preservação de todo o conjunto demanda esforço – hoje, estão sendo conduzidas 15 ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas do governo federal. A população, vigilante, cobra resultados, sem esconder o orgulho que nutre pela cidade. É o caso de José Pedro Nogueira, de 73 anos, zelador há 35 da Igreja de São Francisco de Paulo, vinculada à Paróquia de Nossa Senhora do Pilar.

“Sou defensor deste patrimônio e tenho muito orgulho de ser nascido e criado aqui. É a terra de Aleijadinho, onde o mestre Ataíde (natural da vizinha Mariana) trabalhou e Tiradentes (do Campo das Vertentes) fez história”, diz José Pedro. No adro do templo, ele reclama que o mato alto (“pau-de-leite”) impede a contemplação da paisagem barroca e houve retirada de holofotes que iluminavam o monumento. O secretário Zaqueu explica que as equipes da prefeitura já foram acionadas para resolver os problemas.

A artesã Efigênia Souza Silva, de 72, sente o mesmo amor pela cidade que a recebeu há 50 anos. Declarando-se garimpeira há 58, a mulher nascida em Mariana vende colares, brincos, terços e adereços e tem a orientação na ponta da língua sobre o efeito das pedras: hematita é boa para circulação e pressão alta; ametista traz fortuna; quartzo-rosa atrai amor; cristal tem força para fazer a paz; e o quartzo-verde melhora a saúde no geral. Os visitantes Ronei Godinho, de 31, analista de sistema, e Juliano Fonseca Sousa, de 28, cozinheiro, de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, ouvem com atenção, apreciam as peças e têm olhos para a paisagem barroca.

“Ouro Preto é um museu a céu aberto. Acho que nunca vou ver algo assim!”, disse Ronei. Depois, os amigos escolhem as pedras preferidas e caminham para conhecer mais sobre a primeira cidade brasileira (1980) a ser reconhecida como patrimônio cultural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
Festa de hoje

19h – Entrega oficial da restauração do Chafariz dos Contos ou de São José, com água potável. Em seguida, apresentação do coral do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), na escadaria do Ministério Público de Minas Gerais

20h – Ligação da água do chafariz do Museu da Inconfidência, na Praça Tiradentes

20h30 – Abertura de exposição no anexo do Museu da Inconfidência sobre o uso da água, em Ouro Preto, nos séculos 18 e 19, com a história de toda a legislação sobre o fornecimento do recurso natural no período colonial e dos oito principais chafarizes da cidade

Dez motivos para celebrar a história de Ouro Preto

1) 80 anos de tombamento federal da cidade. A proteção está a cargo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com marco em 20 de abril

2) 320 anos da chegada da bandeira de Antonio Dias. A origem de Vila Rica está no arraial fundado pelo bandeirante paulista, pelo padre João de Faria Fialho e por dois irmãos da família Camargo. Festa
em 24 de julho
3) 280 anos do nascimento do escultor, entalhador, arquiteto e louvado (perito) Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1738-1814). Festividades em agosto

4) 50 anos da Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop), que teve como idealizadores o escritor Murilo Rubião (1916-1991), o poeta Vinícius de Moraes (1913-1980) e a atriz Domitila do Amaral. Festividades em julho

5) 50 anos do Museu do Aleijadinho, vinculado à Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, que tem um projeto museológico em andamento


6) 20 anos do Museu do Oratório, que ocupa a Casa do Noviciado da Igreja de Nossa Senhora do Carmo e está vinculado ao Instituto Cultural Flávio Gutierrez

7) 15 anos da Escola de Música Padre Simões, ligada à Paróquia de Nossa Senhora do Pilar. Programação comemorativa no segundo semestre

8) 80 anos da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, no distrito de Miguel Burnier, projetada por um arquiteto italiano
foto Marcos Michelin EM DA Press - 730820180323081044908446a
9) 10 anos do registro dos doces artesanais tradicionais de São Bartolomeu, patrimônio imaterial de Ouro Preto

10) 50 anos de criação da Superintendência Regional de Ensino. Em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e Patrimônio e a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), a superintendência vai desenvolver atividades em educação patrimonial.
Fonte:https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2018/03/23/interna_gerais,946165/ouro-preto-lanca-ano-do-patrimonio-cultural-e-reabre-chafariz.shtml

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Celio Turino_28168365_881828401977981_8046444271574502166_n

Aprender a gostar de nós mesmos, aprender a olhar para “nosotros”. Essa é um dos ousados objetivos do recém lançado “Cultura a Unir os Povos – a Arte do Encontro”, de Célio Turino. Ex-secretário do Ministério da Cultura, Turino conta que ao retratar as raízes culturais da América Latina, ele espera que seu livro possa contribuir “para a descolonização, dos pensamentos, dos corpos e dos sentidos”.

Publicado em parceira com Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural, a obra é um rico relato fruto de mais de 30 viagens pelos diversos pontos da América Latina, narrando experiências, práticas  e formas de viver cultura e tradições. “Meu livro é uma tentativa de  mostrar tudo de bom, belo e potente que a América Latina produz a partir de sua ancestralidade e seu ser comunitário”, afirma

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Na entrevista para a Agenda da Periferia, Turino conta deixa transparecer o seu entusiamo e esperança com o potencial de integração, criação e mesmo de produção de uma nova realidade pelos 20 países do continente latinoamericano, que formam uma espécie de “espinha dorsal” do mundo.

Qual a principal contribuição que você espera dar com o seu livro para o acerca das raízes culturais da América Latina e a perspectiva dessa herança apontar saída e caminhos para melhorar a vida dos que aqui vivem?
Desde 2011 a vida me levou pela América Latina, foram mais de 30 viagens pelos pontos mais remotos e escondidos desde nosso imenso continente; visitei favelas da América Central ao Peru e Buenos Aires, conheci povos indígenas da Amazônia, dos Andes e da Costa Mexicana, com os Totonaca, foram inúmeros encontros pela Cultura Viva Comunitária. Em cada um desses encontros eu ficava com mais desejo de compartilhar tudo o que via e vivia, a cultura comunitária, a inventividade, a partilha e a colaboração. Este livro é resultado deste desejo, de tornar comum um mundo que nos é escondido desde o colonialismo e o imperialismo. Eu diria que meu livro é uma tentativa em contribuir para a descolonização, dos pensamentos, dos corpos e dos sentidos, mostrando tudo de bom, belo e potente que a América Latina produz a partir de sua ancestralidade e seu ser comunitário.

 

A unidade da América Latina é um debate constante, alguns acreditam que ele sempre existiu outros entendem que há diferenças substâncias e histórias particulares. Há mais coisas que une o que separa? Seriamos um só país ?

Entre a Terra do Fogo, no extremo sul da América do Sul e Tijuana, na fronteira entre México e Estados Unidos, na costa do Pacífico, são 10.625 km. O continente latinoamericano  corta o planeta de sul a norte, como se fora uma espinha dorsal. São mais de duas dezenas de países, 19.200.000 km2, 570 milhões de habitantes. E o mais magnífico é que conseguimos nos entender, seja em espanhol, português ou portunhol, com variações românticas ou idiomas ancestrais, alguns com milhões de falantes, mas que também são bilíngues. Em nenhum outro lugar do planeta há tamanha possibilidade de comunicação linguística comum. E mais que a proximidade linguística, há a proximidade de histórias, de povos em mestiçagem. Vivemos em um continente que se complementa em humanidades e meios naturais, há água, florestas, animais, montanhas. Há gente, há histórias comuns, até as lutas e mazelas também nos são próximas, formamos um continente iníquo, injusto, violento, explorado. Isto ocorre porque ainda não olhamos para nós mesmos, não aprendemos a gostar de ‘nosotros’ e nos espelhamos naqueles que nos exploram, nos desprezam. Sim, a América Latina deveria se perceber mais enquanto nação e só quando isso acontecer conseguiremos superar o colonialismo e transformar essa terra que acolheu todas as humanidades em um lugar bom e justo para todos os seres que a habitam.

 

O fato do Brasil não falar espanhol parece, em alguma medida sempre ter distanciado-nos dessa integração. O brasileiro se entende como latino ou identifica-se (ou gostaria de se identificar) mais com os europeus e estadunidenses?

Como continente colonizado, esta característica de o povo de um país não se mirar nos demais é generalizada e independe do idioma, até porque português e espanhol são idiomas irmãos, e, com um pouco de esforço, é possível se compreender, nem que seja em portunhol. A projeção que se faz em relação aos dominadores, sejam europeus ou estadunidenses, está na base exploração sobre os povos e enquanto não percebermos isso, seguiremos em desgraça civilizatória. Cabe aos brasileiros, como maior nação latinoamericana, perceber esta situação, olhar mais para si mesma e para nossos irmãos, , deixando de viver de ‘espaldas’ (costas) para os demais países da América Latina. Quando fizermos isso, seremos um povo soberano, senhor de seu destino.

 

Um verso bastante famoso dos Racionais MC’s identifica o encontro das realidades das quebradas brasileiras ao dizer “periferia é periferia em qualquer lugar”. No longo levantamento do seu livro, o que dá cultura é igual nos 20 países da América Latina, e que há de comum nesse DNA?

Sim, periferia é igual em qualquer canto. Por isso meu livro fala dessas periferias, mostrando o que temos de semelhante, bem como jogando luzes às criativas soluções que estão ao alcance de nossas mãos, e que só não são utilizadas porque aprendemos a não gostar de nós mesmos.

 

O que te levou a escrever o livro? Dessa ideia que te motivou ao que você descobriu enquanto viajava e escrevia, o que mais te surpreendeu? Houve algo que naõ imaginava que existisse ou que a expressão exercida te emocionou?

O que me levou a escrever este livro? A vontade de compartir tudo que vi, vivi e senti. Prefiro deixar para que as pessoas leiam o livro por seus próprios olhares, referências e sentimentos, tirem suas próprias conclusões. É isso, a Cultura não é libertadora por si, mas quando a cultura vem acompanhada do compartilhamento entre território e memória, não há nada que a detenha, e ela se torna libertadora, fonte de autonomia e protagonismo, daí, a Cultura une; por isso o título do livro: CULTURA A UNIR OS POVOS – a arte do encontro.

Fonte:

http://agendadaperiferia.org.br/index.php/destaques/livro-aponta-para-valorizacao-das-raizes-culturais-como-caminho-para-a-descolonizacao-da-america-latina

 

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