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Archive for maio \06\UTC 2015

Paulo-Brack  é Coordenador do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais – Crédito: Apedema / DivulgaçãoPor Rafaela Barboza
Jornalismo Ambiental / Noite

ONG de Porto Alegre busca, através de ações e debates, construir uma sociedade sustentável.

Agir localmente e pensar mundialmente, trabalhar pela transformação social, promovendo a justiça socioambiental e modos de vida saudáveis, em harmonia com a natureza, é o lema que o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá) acredita e leva como bandeira para o desenvolvimento de um planeta sustentável.

O trabalho do InGá é feito por meio de pesquisas, educação e comunicação como processos contínuos, críticos e transformadores, acompanhamento e proposição de políticas públicas responsáveis, fiscalização do cumprimento da legislação ambiental e realização de projetos e ações socioambientais.

O Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá) nasceu a partir da união de diversos fatores que ocorriam simultaneamente no cenário ambiental da capital gaúcha nos anos 1990. Um grupo de estudantes e professores do curso de Biologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que na época era ligado ao Núcleo de Extensão Macacos Urbanos, dentro da própria Universidade, desenvolvia um projeto que mapeava a espécie do bugio-ruivo em Porto Alegre e sentia a necessidade de um grupo que discutisse e construísse uma sociedade sustentável.

Também havia a necessidade de criação de uma organização com estrutura jurídica para receber apoio no campo das pesquisas biológicas em Porto Alegre e coincidiu com o encerramento da ONG Comissão de Luta pela Efetivação do Parque Estadual de Itapuã(Clepei).

Alguns integrantes, que acreditavam na luta, deram continuidade ao trabalho através do Instituto. Então, em 7 de abril de 1999, homenageando uma árvore nativa da América do Sul, com poder de regeneração do solo, nascia o InGá, fundando pelos “ingazeiros”, como são chamados os militantes do Instituto.

Atualmente a ONG conta com seis pessoas na sua equipe. São biólogos, bacharéis em Educação Física, Artes Gráficas, Artes Visuais e do campo da Geografia e Filosofia, que dedicam seu tempo de forma voluntária para lutar pelas mais diversas causas em todo o estado do Rio Grande do Sul, atuando principalmente na região de Porto Alegre.

O biólogo e coordenador-geral do InGá, Paulo Brack, conta, por email, que há alguns anos o número de voluntários era maior. “Muitos dos ‘ingazeiros’ passam em concursos públicos no estado ou no resto do País e acabam se desvinculando por falta de tempo ou vontade”, afirma Brack.

Para o ingazeiro e tesoureiro da ONG, Vicente Medaglia, a grande dificuldade de manter o Instituto é a tentativa de cooptar parceiros para atuar. “O InGá é mantido por trabalho voluntário. Além disso, existem dificuldades de gestão de projeto coletivo, não remunerado e democrático. A grande questão é como aproximar pessoas que se dediquem à causa”, diz Medaglia.

Visão ecológica do mundo

São diversos os campos de atuação dos “ingazeiros”, mas todos eles são voltados à biodiversidade, como às áreas naturais de Porto Alegre, políticas públicas em espaços de representação, educação ambiental, plantas alimentícias não convencionais (PANCs), agrobiodiversidade, agricultura urbana, feira da biodiversidade, entre outras. Além de fiscalizar o cumprimento legislação ambiental.

A ONG também busca construir uma visão onde a ecologia tenha papel fundamental na sociedade. Ser um meio de discussão, que não é suscetível aos interesses econômicos, e sempre ampliar conversas e visões, disseminando o debate em busca de uma sociedade sustentável.

Segundo Medaglia, formado em Filosofia na UFRGS e mestre em desenvolvimento rural pela mesma Instituição, é necessário construir ou discutir uma sociedade realmente sustentável. “Os principais agentes se eximem de tomar atitudes. A grande questão que se pode levantar é a fixação sobre o crescimento econômico, fixação de uma sociedade que é emoldurada por uma natureza finita”, ressalta.

O ingazeiro se refere ao descaso que as grandes indústrias e a população vem tendo com meios naturais que não são renováveis. A necessidade que o consumidor tem em sempre querer uma nova tecnologia fruto de uma fonte não renovável, que acaba por degradar o meio ambiente sem a preocupação de como mantê-lo intacto, ou ao menos não polui-lo. São características do mundo pós-moderno, onde o excesso de fabricação, necessidade de vendas para que os grandes empresários obtenham mais lucro, ocasionando o consumismo desenfreado.

“Esse crescimento econômico não pode ser infinito, ele também tem que ser finito, e na verdade, o que deveria acontecer é a distribuição da riqueza existente. Presenciamos a concentração dessa riqueza. A retórica da sustentabilidade tem um limite na ganância humana”, defende o filósofo.

Na avaliação de Para Paulo Brack, um dos maiores agentes da degradação do meio ambiente é a especulação imobiliária e a poluição hídrica de arroios e do Guaíba. “Através de publicidade, a população pode se conscientizar sobre o que acontece no meio ambiente onde vive”, defende o coordenador da InGá.

Debates, palestras e denúncias

Como forma de militância, o InGá participa de conselhos de meio ambiente. Promove debates e palestras. Divulga e denuncia os descasos e ataques ao meio ambiente e aos direitos socioambientais. Também possui uma página e uma rede de e-mails entre os ingazeiros, onde são repassadas informações e as campanhas sobre o meio ambiente.

Segundo o biólogo Paulo Brack, o mais importante, hoje, é pararmos para pensar onde nossa sociedade hegemônica capitalista vai chegar. “É preciso levantarmos a bandeira urgente por um outro paradigma que recupere as formas de relações ecológicas colaborativas, solidárias, desprendidas, desapegadas, e não as formas atuais competitivas e que prezam pela acumulação doentia de capital, fonte maior da degradação ambiental”, salienta Brack.

Luta vitoriosa

O InGá, em parceria com outras ONGs e o Ministério Público Estadual, conseguiu barrar a construção da Usina Hidrelétrica de Pai Querê, no ano de 2013. A Hidrelétrica seria construída no rio Pelotas, divisa do Rio Grande do Sul com o estado de Santa Catarina, e previa a devastação de 6 mil hectares de mata nativa e cerca de 200 mil araucárias e diversas espécies de peixes, entre diversos outros tipos de espécies exóticas.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) acabou por indeferir o pedido de licença, entendendo que o mais importante era preservar a biodiversidade existente.

Por uma cidade realmente sustentável

Uma cidade ou um planeta sustentável é possível a partir de projetos e mobilizações tanto da sociedade quanto dos governos. Para Paulo Brack, é possível frear o desmatamento pela especulação imobiliária através de divulgações, denúncias e a atuação da população junto aos conselhos ambientais e ao Ministério Público, no âmbito Estadual ou Federal.

Porém, a Capital do Estado não prevê plano de sustentabilidade. “Poderia ser qualquer plano. Inicialmente passaria por definir os limites para à expansão urbana, para a poluição hídrica, aérea e pelos resíduos sólidos”, ressalta Brack.

Quanto à mobilidade urbana, Brack acredita que a maioria dos políticos e governantes tem visão imediatista e não está interessada nestas questões. “O transporte público deveria ser uma bandeira não só das ONGs, mas do público em geral”, avalia o biólogo.

Devido a todos os problemas ambientais no mundo, um dos maiores e mais preocupantes da atualidade é a poluição eletromagnética, que é gerada através da grande rede de comunicação sem fio, como ondas de televisão e rádio, uso de aparelhos celulares via satélite, que é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como cancerígena.

De acordo com Vicente Medaglia, esse tipo de situação não importa em um sistema capitalista. “Para contermos esses grandes problemas ambientais, somente uma mudança individual, moral e ética da sociedade. A ampliação da consciência, não só ambiental, como da humana para um mundo mais sustentável”, afirma o ambientalista.

Mas para que toda a destruição provocada pelo homem possa ser reparada é necessária uma grande transformação na humanidade. É isso que o InGá promove. É por essa transformação que os ingazeiros lutam.

Doações

O Instituto conta com doações de colaboradores para se manter. Toda doação é bem vinda para que o InGá possa dar continuidade ao trabalho que vem desempenhando há quase duas décadas. Saiba como fazer sua contribuição através do e-mail inga@inga.org.br.

“O Professor Paulo Brack é um grande parceiro do Projeto Bússola Cultural,e temos muita gratidão por podermos contar com o apoio de um grande guerreiro ambiental nas ações de formação”,disse Marly Cuesta.

InGá

Casarão do Arvoredo
Rua Cel. Fernando Machado, 464, Centro – Porto Alegre/RS – Brasil Caixa Postal 1057, CEP 90.001-970 Telefone: (51) 3019-8402
E-mail: inga@inga.org.br / frutaspoa@inga.org.br

Veja mais no link

http://jornalismoambiental.uniritter.edu.br/?p=494

Mapa

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Vídeo que incentivar as boas práticas educativas para todos!

 

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cartaz_menorCONVITE PARA A 1ª FEIRA DA BIODIVERSIDADE

 

“Aquilo que foi destruído, o foi para sempre,

mas o que está em perigo, ainda pode ser salvo”.

 

 

É com muita alegria que convidamos para a 1ª Feira da Biodiversidade conforme segue abaixo:

Data: 15 a 17 de maio de 2015

Horário: das 9 horas às 19 horas

Local: Centro de Referência de Economia Solidária Dom Ivo Lorscheiter- Rua Heitor Campos, snº – Bairro Medianeira – Santa Maria – RS

Veja a Programação:

programação

 

Esta é uma proposta “ousada e profética” de um grupo de pessoas e organizações, que tem a sensibilidade e a preocupação com a Sustentabilidade do Planeta Terra e o cuidado com a vida em todas as suas dimensões.

Todos nós, como habitantes do Planeta Terra, temos o compromisso de deixá-lo melhor do que o encontramos. Todas as formas do cuidado da vida, em todas as dimensões, precisam fazer parte de nossa formação como seres criados a imagem e semelhança de Deus. A sábia palavra de Jesus, nos motiva a desenvolver ações que contribuam para um mundo mais habitável e uma sociedade justa, fraterna e igualitária. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).

O convite pode ser divulgado em todos os seus contatos e Redes Sociais, para que muitas pessoas possam aderir a esta belíssima iniciativa, dentro do Aniversário de Santa Maria.

A Comissão Organizadora:

Para contatos:

Projeto Esperança/Cooesperança

Rua Silva Jardim, 1704, Santa Maria – RS – Brasil

Fone/Fax: 55 3219 4599 / 3223 0219 / 9979 7087

E-mail: projeto@esperancacooesperanca.org.br

Site: www.esperancacooesperanca.org.br / www.facebook.com/projetoesperancacooesperanca

Agradecemos pela sua participação, interação e divulgação.

Comissão Organizadora do Evento

Todo apoio do Projeto Bússola Cultural, um projeto aprovado pelo Prêmio Tuxáua 2010.

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Seu Laudelino na Estação Ecológica do Taim_17374531A vida de Laudelino de Quadros Ribeiro é permeada por duas frases: “não pode” e “tudo na santa paz”. A primeira delas define o seu ofício, a segunda, o homem que é. Para alguém que nunca precisou procurar emprego, a vida profissional deste guardião da Estação Ecológica do Taim terminou na última semana com louvor: foram 35 anos mantendo intacto um patrimônio dos brasileiros.

A aposentadoria veio a contragosto. O técnico ambiental que não estudou em escola, mas no lombo do cavalo, vai precisar se despedir dos cerca de oito mil hectares de pampa que cuidava registrados na palma da mão. Não há quem conheça a faixa de praia e banhado do farol Sarita até o começo da Lagoa Mangueira como o Cabeça. É pelo apelido, dado por um velho índio ainda na infância, que todos o conhecem. E é como se apresentava pelo rádio VHF, sempre às 8h, ao meio-dia e às 18h.

— Sede, sede, é a base Costeira.

— Na escuta, Cabeça. Tudo certo? Algum problema?

— Tuuudo certo, na santa paz.

Invariavelmente, nos únicos três momentos em que dava notícias aos poucos colegas (são apenas 11 funcionários na reserva), vinha a frase que mostra como encara a vida. A “santa paz” não é apenas um estado de espírito adquirido por Laudelino, fruto do isolamento e da solidão, é do que precisa para estar vivo. Assim ajudou a manter intacto aquele pedaço de Taim próximo ao Oceano Atlântico.

Uma missão que recebeu sem precisar passar pelo departamento de recursos humanos. O currículo está apenas na ponta da língua. O senhor de 70 anos nasceu e se criou dentro do que viria a se tornar a estação ecológica. Filho de um funcionário da estância Caçapava, uma propriedade de quase 20 mil hectares desapropriada em parte para ser preservada, tinha o perfil inigualável para um vigia.

Aceitou o cargo de técnico ambiental, uma relação de trabalho que consistia mais ou menos no seguinte: Laudelino entregaria o conhecimento, o olhar atento e o zelo pela região em troca do salário e da liberdade de viver onde encontrava a “santa paz”. Não conseguiu fazer o curso de autuação, e nunca pôde ascender a fiscal. Por isso, quando avistava um infrator, chamava o reforço dos colegas.

A Caçapava e a Costeira são as duas mais isoladas das cinco bases da Estação Ecológica do Taim, hoje administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO), autarquia ligada ao Ministério do Meio Ambiente. Eram a praça de Cabeça até sábado passado, último dia de trabalho antes da aposentadoria compulsória. Agora, não tem mais volta. Precisa deixar o lugar que, mesmo para os colegas, todos fiscais ambientais de botas gastas, é um fim de mundo — sem luz e com uma água de poço meio amarelada e salobra.

Na base Caçapava, Laudelino trabalhou por 25 anos, vivendo ao lado da mulher, Frida, que morreu em 2006. Na Costeira, os últimos 10. Passava até um par de meses isolado na Costeira. Dava os boletins pelo rádio e, na maior parte dos dias, não via ninguém. Perguntado se queria ter conhecido mais gente, nega, convicto.

— Gosto é disso tudo que está aí. Solidão. Céu aberto — resumiu, fitando a imensidão do pampa.

http://videos.clicrbs.com.br/rs/zerohora/video/vida-e-estilo/2015/04/guarda-taim/121049/

Para os intrusos, as poucas palavras que dizia, invariavelmente, incluíam o “não pode”, dito de maneira firme. Não pode pescar, não pode caçar, não pode tomar banho no mar, não pode acampar, não pode fazer xixi nas dunas. “Mas como assim?”, vinham as perguntas. “Não pode, é reserva”, o assunto era encerrado. E quando alguém era pego no flagra…

— Eles sempre vinham com “ah, eu não sabia”. “Agora sabe”, eu dizia. É reserva. Te arranca.

Apesar da falta de escolaridade, a maneira correta e íntegra com que tratava a todos vencia qualquer argumentação. Certa vez, um grupo de juízes cruzava pela faixa de areia demarcada pela estação com caminhonetes tracionadas. Laudelino interveio, soltou o famigerado “não pode” e começou a ser questionado sobre a legislação que limitava o passeio. Sem saber qualquer linha das leis, descreveu a finalidade da unidade de conservação e convenceu os juristas. Mais tarde, o então chefe da reserva, Amauri Sena Motta, recebeu o telefonema de um deles para cumprimentar a postura de Laudelino.

— Vai encontrar pessoa como ele em concurso público: não tem. É um exemplo de disciplina e de homem íntegro — define Motta.

Campereando capivaras

A rotina era morosa naquele canto de campo. Monitorar intrusos, caça e pesca ilegais, a entrada do gado de terras vizinhas, alertar para a invasão de pinus da vez. Todos os dias, Laudelino encilhava o cavalo pelas 7h, duas horas depois de acordar, e fazia 14 quilômetros de cavalgada até a divisa da unidade com uma imensa propriedade privada de quase 30 mil hectares da espécie invasora — maior em área que a própria estação ecológica, que hoje é de quase 11 mil.

Os pinheiros eram o fim da rota de ida. Os 14 quilômetros de volta poderiam ser ampliados quando algum rastro de carro ou de qualquer outra coisa surgisse na areia da praia. Se houvesse vestígios, ele os seguiria até encontrar o intruso. Laudelino morou a vida toda próximo do mar, a não mais do que dois quilômetros de distância — 300 metros no caso da Costeira. E mesmo cavalgando de sol a sol, só molhou o corpo até os joelhos. Diz que nunca quis tomar banho lá e se refere à “água salgada” com desgosto, como se fosse um erro da natureza.

Ao longo da vida, participou de muitas prisões em flagrante, sempre com apoio dos fiscais e da polícia ambiental. Não autuava, mas o seu conhecimento era solicitado em qualquer operação naqueles banhados. Participava indicando os cantões do Taim. “Ali dá para passar de caminhonete tracionada”, “nesse canto só a cavalo e olhe lá”, “daquele buraco os caçadores gostam” ou “é lá que pescam traíra”.

As prisões caíram muito dentro da estação. Um pouco porque a consciência ambiental aumentou, mas principalmente pela mudança na rota dos caçadores. Com medo da fiscalização intensa das últimas décadas, estão atuando em outras terras menos vigiadas. Hoje, o número de autuações fica na casa dos 30 a 40 por ano dentro do parque ecológico, entre caça, pesca e outros delitos.

O principal alvo das espingardas é a capivara, também chamada de capincho. Abundante nesses banhados hoje, a vida do maior roedor da terra não era tão fácil antes da criação da estação, em 1986. A tradição de caçá-lo perpetuou-se até pouco tempo. Milhares de capincheiros foram pegos até que a legislação endurecesse ao ponto de cobrar altas multas e constituir crime, como atualmente. Os bichos, que eram ariscos, hoje são tão mansos que chegam à porta da casa de Cabeça.

— A rotina aqui é essa: capincho vai, capincho vem — diz.

Ao assumir a missão de defensor do Taim da ação humana, chegou a tentar “camperear” as capivaras durante uma seca forte no Banhado do Palmito, que fica próximo à Lagoa Mangueira. Isto é, tentou tocar como gado os bichos para que fossem para a água. Sem entender o objetivo da investida, eles não fizeram a sua vontade.

Observador do comportamento de todos os animais, Laudelino também presenciou o sumiço da ema. Considerada a maior ave brasileira, era abundante na região. Mas desapareceu com a caça por esporte. Grupos matavam só pelo desafio e as deixavam atiradas no banhado. Dizem que o guarda sabia até qual família gostava de fazer isso, mas como os fatos datavam de muito antes da proteção da área por leis federais, preferiu esquecer.

Hoje, a estação está com a documentação encaminhada para finalmente ampliar a atuação para os 33 mil hectares previstos na sua concepção. Mas a grande expectativa do momento na sede do ICMBIO no Taim é: Laudelino seguirá na santa paz fora do seu fim de mundo? Ele está morando na Vila Quinta, próximo a Rio Grande, ao lado de uma mulher quase 30 anos mais nova. E a única chance de voltar às bases é encarar o mesmo serviço de forma voluntária.

— Vamos propor isso para que ele possa levar essa experiência toda adiante — conta Henrique Ilha, chefe da estação.

No calor da festa de despedida, Laudelino disse que não vai querer e esfregou o indicador e o polegar para justificar. Mas se insistirem com o Cabeça…

Fonte NotíciaRBS

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pedemolequePé-de-moleque: o doce de Piranguinho que  é considerado o mais famoso de Minas Gerais.

A pequena cidade de Piranguinho, a 480 quilômetros de Belo Horizonte, no Território da Mantiqueira e Sub território Sul/ Suíça, se tornou um dos mais emblemáticos símbolos da Identidade gastronômica regional em Minas Gerais, sendo hoje reconhecida como a capital nacional do pé-de-moleque.

Fundado em 1962, o município de Piranguinho teve sua história gastronômica iniciada ainda no final do século XIX e início do século passado, com a construção da estrada de ferro Sapucaí.

Segundo relatos de moradores locais, o pé-de-moleque apareceu na região de Piranguinho por volta de 1911, quando dona Maria Paulina de Noronha (Neném Paca) construiu, ao lado da estação ferroviária, um cômodo de madeira coberto com zinco no qual ela instalou um barzinho. Nele, os viajantes que passavam de trem podiam saborear um delicioso cafezinho com biscoitos, bolos, sonhos e uma variedade de doces, inclusive o pé-de-moleque, feitos por dona Neném. Em 1938, esse estabelecimento foi desativado, mas dois anos antes, em 1936, começou a história do famoso pé-de-moleque de Piranguinho, com a família de seu Modesto Torino.

A famosa Barraca Vermelha

O senhor Modesto Torino foi transferido de Porto Sapucaí para Piranguinho, onde exercia a função de chefe da estação local. Sua esposa, dona Matilde Cunha Torino, passou a se dedicar à fabricação caseira do doce de amendoim com rapadura, o pé-de-moleque.

Segundo outras fontes locais, inicialmente a dona Matilde vendia os docinhos apenas pelas janelas do trem na estação, mas após ajuda de seu marido, e com a contratação de meninos para vender dentro dos vagões, sua produção cresceu vertiginosamente. Segundo a lenda, há quem afirme ainda que o marido de dona Matilde chegava até a atrasar a partida dos trens para não atrapalhar as suas vendas.

Brincadeiras à parte, logo sua filha Alcéia Cunha Torino assumiu os negócios da família e, em 1963, com a desativação dos trens de passageiros, ela instalou uma barraca de madeira coberta de zinco e pintada de vermelho na margem direita da rodovia BR-459, no perímetro urbano de Piranguinho.

Atualmente, a sobrinha, Sônia Torino, está à frente da administração da Barraca Vermelha.

Desde sua origem até os dias de hoje, muitas pessoas já tiveram o prazer de passar por Piranguinho e saborear esta deliciosa iguaria da culinária mineira. Foram vários ilustres como Juscelino, Tancredo Neves, José Alencar e Carlos Drummond de Andrade.

Seguindo os caminhos abertos pela Barraca Vermelha, vários outros produtores vieram se instalar na cidade de Piranguinho, construindo esta doce Identidade gastronômica: barracas Azul, Laranja, Verde, Amarela, Prata e Marrom; Fernandes, Rancho do Pé-de Moleque, Sítio São José e o Quiosque do Pé-de-Moleque.

Construindo a Identidade Gastronômica de Piranguinho

Nesta história de sucesso, muitos foram os capítulos percorridos por produtores, poder público, Sebrae, Circuito Turístico caminhos do Sul de Minas, e vários outros profissionais para chegar a produzir essa iguaria com a excelência dos produtos de Piranguinho e agregar valores culturais e turísticos.

No começo da caminhada, a produção era muito rudimentar, sem maiores cuidados, e a competição entre os produtores se tornavam fatores negativos para a qualidade do produto.

Percebidos esses problemas por profissionais da prefeitura de Piranguinho e do Sebrae, iniciaram um processo de aproximação com os produtores para busca de melhorias na produção.

Todas as dificuldades foram encontradas no percurso, desde a desconfiança natural até o receio de dividir experiências com a concorrência. Mas depois de alguns anos de insistência e perseverança dos profissionais e de alguns produtores, o grupo começou a entender as possibilidades que a produção cooperada ou associada poderia trazer, e agregar benefícios ao projeto pé-de-moleque.

O maior do mundo

Surgiu a Festa do Pé-de-Moleque, que neste ano estará em sua 15ª versão, e com ela a ideia de produzir o maior pé-de-moleque do mundo, e logo a fama do docinho de rapadura e amendoim começou a fazer fama.

O então deputado estadual Durval Ângelo, ao participar de uma comissão de avaliação do maior pé-de-moleque do mundo, e a pedido de produtores, poder público local e da comunidade, trouxe a iguaria para os salões da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O objetivo era adoçar a vida dos deputados e sensibilizá-los para aprovar uma lei reconhecendo o processo de produção do doce como Patrimônio Imaterial do Estado.

Muitas idas e vindas e enfim, em 1º de abril de 2009, foi aprovada a Lei 18057, reconhecendo a iguaria da cidade de Piranguinho, colocando definitivamente a cidade no mapa da cultura gastronômica mundial.

História

O amendoim (em tupi, “Mani”, que significa enterrado) é um alimento popular em todas as regiões do Brasil, e pode ser consumido tanto doce como salgado. A semente faz parte da cultura brasileira, e é ingrediente principal de muitas receitas tradicionais, como paçoca, pé-de-moleque, bolos e até sorvetes. Embora sua origem não seja certa, há relatos de que o amendoim tenha surgido na América do Sul.

Alguns especialistas acreditam que a leguminosa foi descoberta no Brasil ou tenha surgido na região do Gran Chaco, localizada entre o Paraguai, norte da Argentina e Peru. Porém, há documentos de 3.800 a.C. a 2.900 a.C., que afirmam que a semente surgiu ao leste dos Andes, onde era muito utilizada pelos indígenas.

Outra informação que se perdeu na história é quando o amendoim começou a ser utilizado. De acordo com Evaristo Eduardo e Miranda, chefe geral da EMBRAPA Monitoramento por Satélite, ele foi descoberto e explorado bem antes de os atuais índios surgirem.

Pesquisas dão conta de que, num passado remoto, os chineses já eram grandes cultivadores da planta. Nessa linha, trabalhos artesanais muito antigos, como potes e vasos de barro no formato do amendoim, demonstram que os povos sul-americanos também conhecem a leguminosa há tempos.

Mais um fato interessante é que amendoins foram encontrados nos túmulos dos incas, para que, seguindo a crença, os mortos pudessem se alimentar durante a passagem para “o outro lado”.

Uma receita da delícia!

Pé-de-moleque

Ingredientes:

500g de amendoim torrado e sem casca

3 xícaras de açúcar

1 xícara de achocolatado

2 colheres de manteiga

1 lata de leite condensado

Preparo

Coloque, numa panela, o amendoim, as xícaras de açúcar e o achocolatado.

Leve ao fogo e mexa até o açúcar caramelizar.

Adicione a manteiga e o leite condensado, e mexa por mais dois minutos.

Com uma colher, retire a massa da panela, e crie porções do tamanho e formas que desejar.

Coloque o pé-de-moleque em cima de papel manteiga ou pedra de mármore para esfriar e não grudar.

Depois que esfriar, o doce está pronto para servir.

Fonte: http://uj.novaprolink.com.br/noticias/1360865/gastronomia_

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